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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 257

André

A Laís estava na sala quando cheguei.

Sozinha, as crianças deviam estar no andar de cima, minha mãe na cozinha pelo cheiro que vinha de lá, e quando ela me viu entrar ela largou o que estava fazendo e veio até mim antes que eu dissesse qualquer coisa.

Não perguntou nada.

Só abriu os braços, e eu fui, e ficamos assim por um momento no meio da sala com o barulho da casa ao redor e aquele silêncio entre a gente que não precisava ser preenchido. O abraço dela parecia me curar mais do que qualquer outra coisa.

Quando me afastei, ela me olhou.

"É grave?"

"Coma induzido." A voz saiu rouca. "Não sabem se vai acordar."

Ela fechou os olhos por um segundo.

Fomos sentar no sofá, e ela ficou de lado na minha direção, ouvindo enquanto eu contava sobre a delegacia, o Souza, o hospital, o corredor com a porta de vidro que eu não consegui atravessar. Ela ouviu tudo sem me interromper, só com a mão na minha o tempo inteiro.

Quando terminei, o silêncio durou um pouco.

"Você vai contar para o Felipe?", ela perguntou, baixo.

E ali estava. A pergunta que eu estava carregando desde o corredor do hospital, desde a delegacia, desde o momento em que li a mensagem do Souza naquela manhã e soube que ia ter que decidir alguma coisa.

"Não sei." Passei a mão no rosto. "Não sei se conto. Não sei como conto. Não sei se ele precisa saber agora ou se..." Parei. "Ela pode não acordar, Laís. Posso contar pra ele e ela morrer antes que ele possa..." Não terminei.

"Ou ela pode acordar", ela disse, com aquela calma dela. "E aí ele descobre de outro jeito."

Eu sabia disso.

Era o que me prendia.

"Se eu contar e ela morrer..."

"Você não pode controlar isso." Ela apertou minha mão. "Você só controla como ele recebe a informação. E receber de você é melhor do que de qualquer outra pessoa."

Fiquei olhando para o nada por um momento, pesando.

"Eu não quero machucá-lo."

"Eu sei." Ela me olhou com aquela ternura que sempre me desarmava. "Mas guardar também machuca, André. Só machuca diferente."

Respirei fundo.

E foi quando ouvi.

Um movimento sutil perto da escada, aquela pisada leve que eu já estava aprendendo a reconhecer, diferente da Aelyn que nunca pisava leve na vida.

Felipe estava parado no último degrau.

Laís e eu nos olhamos ao mesmo tempo.

"Contar o quê?", ele perguntou, a voz cautelosa, daquele jeito que ele tem quando está processando antes de perguntar.

O silêncio que veio depois durou tempo demais.

Ele desceu o último degrau devagar, com uma mão na parede, orientando o espaço, e parou no começo da sala.

Me levantei.

"Felipe." Fiz uma pausa, e então decidi, porque a Laís estava certa, e eu sabia disso, e às vezes saber é o suficiente para agir mesmo quando você não quer. "Você quer saber sobre sua mãe biológica?"

257. A decisão dele 1

257. A decisão dele 2

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