André
A assistente social responde sem hesitar quando eu pergunto, como se já estivesse acostumada com esse tipo de urgência, com esse tipo de desespero que a gente tenta disfarçar de controle, e diz que o juiz do caso é o doutor Mendonza. No mesmo instante, eu solto um suspiro, passo a mão pelo rosto e puxo o celular do bolso.
"Eu conheço ele", digo, mais para mim do que para qualquer outra pessoa ali, e então olho para a Laís. "Fica com ele um minuto pra mimm vou resolver isso de uma vez." Eu não espero resposta, porque não consigo, eu só preciso agir, preciso resolver, preciso fazer alguma coisa que mude essa situação agora.
Saio da sala com o coração acelerado, atravessando o corredor como se cada segundo fosse decisivo, porque é, e enquanto caminho eu tento ignorar o fato de que meu filho está ali dentro e eu estou me afastando dele, mesmo que por poucos minutos.
Eu não sei como sair daquele lugar deixando ele ali, não sei como fingir normalidade depois de tudo o que aconteceu, então só faço o que sei fazer melhor: resolvo.
O telefone chama duas vezes antes de ser atendido.
"Há quanto tempo, senhor Bayron… faz o quê, uns três anos que não nos vemos?", a voz vem do outro lado com um tom leve, quase descontraído, e eu solto uma respiração curta, tentando me manter focado.
"Acho que por baixo esse tempo, se não mais", respondo, tentando organizar minhas ideias. "Você está na cidade?"
"Não, estou em viagem. Por que, tem alguma coisa que eu possa te ajudar?"
"Tem. Nem queria estar te pedindo isso, mas estou um pouco desesperado, para fingir orgulho." ele ri.
"Me diz no que posso te ajudar."
"Eu descobri que tenho um filho." solto a bomba e o outro lado da linha fica muda. "A mãe da criança a entregou para a adoção a 10 anos atrás, e agora trocou a informação por dinheiro. Fiz o teste e realmente o menino é meu filho."
"Que situação." ele fala.
"Pois é, e eu não sei como sair daqui e deixar ele", admito, passando a mão pela nuca enquanto ando de um lado para o outro sem perceber. "Se você estivesse na cidade eu ia pessoalmente falar com você, porque o meu processo caiu para você e..."


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