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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 225

Laís

Eu nunca vou esquecer esse momento.

Eu estou ali, vendo a vida acontecer na minha frente, e pela primeira vez em muito tempo não é sobre estratégia, não é sobre processo ou sobre defesa, é sobre amor encontrando espaço onde antes só existia ausência.

Eu vejo o André se quebrando aos poucos diante daquele menino, e ao mesmo tempo se reconstruindo em cada palavra, em cada gesto, em cada respiração que finalmente parece fazer sentido, e quando ele diz que é o pai… eu sinto que algo muda, não só para eles, mas para todos nós.

O menino fica em silêncio por alguns segundos, como se estivesse tentando entender algo grande demais para a idade dele, e então sua voz sai baixa, quase como se tivesse medo de acreditar no que está dizendo.

"Eu… tenho um pai?" Meu peito aperta de um jeito que chega a doer, porque aquela pergunta carrega anos de silêncio, de abandono que ele não entende, de respostas que nunca vieram.

André não hesita. Ele se ajoelha na frente dele, ignorando completamente qualquer limitação do próprio corpo, como se aquele gesto fosse necessário, como se ele precisasse se colocar ali, na mesma altura, para ser visto de verdade.

"Tem", ele diz, com a voz embargada, mas firme. "Roubaram você de mim… mas eu te achei. E eu sou teu pai." E é o suficiente, porque o menino se j**a nele sem pensar, sem medir, sem se proteger, como se aquele abraço fosse algo que ele esperou a vida inteira sem saber.

André se desmancha. Eu vejo os ombros dele cederem, o corpo inteiro se curvando ao redor daquele menino como se estivesse tentando recuperar em segundos tudo o que foi perdido em anos, e eu sinto meus olhos arderem, a garganta fechar, porque não tem como não sentir o peso daquele encontro.

A diretora ao nosso lado limpa discretamente o rosto, e quando eu levanto o olhar percebo que não somos só nós ali, algumas crianças observam, funcionários também, todos em silêncio, como se estivessem assistindo algo que não deveria ser interrompido, mas que também não deveria ser exposto.

Eu respiro fundo e me aproximo da diretora, pedindo em voz baixa para irmos para um lugar mais reservado, e ela concorda na mesma hora, nos conduzindo até uma sala mais tranquila enquanto André simplesmente não consegue soltar o menino.

Ele o pega no colo com cuidado, com o único braço, como se tivesse medo de que ele desaparecesse se não o segurasse forte o suficiente, e o menino se acomoda com o rosto no ombro dele, ainda chorando baixo, enquanto André o segura firme, balançando de leve, completamente entregue àquele momento.

Eu fico ali por alguns segundos sem saber exatamente o que fazer, algo raro para mim, então digo que vou pedir um copo de água mais para preencher o espaço do que por necessidade real, e a diretora diz que vai buscar junto com a assistente social, nos deixando sozinhos.

É nesse silêncio que o menino levanta um pouco o rosto, não olhando diretamente para mim, mas seguindo a minha voz.

"Você é a minha mãe?"

Eu travo. Por um segundo inteiro eu não sei o que dizer, porque não existe resposta pronta para aquilo, então me aproximo devagar, cuidando de cada palavra.

"Não… não a biológica. Eu e o seu pai nos casamos há poucos meses", digo, sentindo a voz falhar por um instante, mas continuo, porque agora não é sobre mim. "Mas… se você quiser uma mãe…" Eu nem consigo terminar, porque ele se move na mesma hora e me abraça.

"Eu quero."

225. Guarda provisória 1

225. Guarda provisória 2

225. Guarda provisória 3

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