O fato de Daniel Santos ter escapado pairava sobre minha cabeça como uma maldição.
Naquela noite, meu sono foi intermitente e agitado.
Quando adormecia, era assombrada por pesadelos.
Quando acordava, meu coração se enchia de pânico.
A luz principal do quarto permaneceu acesa a noite inteira.
Assim que o dia clareou, não consegui mais dormir.
A falta de sono me causou uma dor de cabeça terrível.
Levantei-me, vesti um longo robe de seda e, com os cabelos soltos, fui à cozinha buscar um pouco de água quente.
Ao sair do quarto, senti que algo estava errado.
Muito errado.
Eu não gostava de usar aromatizadores em casa.
No máximo, comprava um buquê de flores por impulso para perfumar o ambiente.
Com tantos problemas ultimamente, fazia muito tempo que eu não comprava flores.
A casa estava tão impessoal quanto um apartamento decorado para venda.
No entanto, naquela manhã, um aroma nítido de rosas flutuava pela sala de estar.
Um arrepio percorreu minha espinha.
Apertei o cinto do meu robe, pensando se Fernando Gomes estava certo, afinal.
Minha casa não era segura?
Enquanto ponderava, meu olhar, que varria a sala, encontrou um rosto jovem e insolente.
Ele estava sentado bem no meio do sofá comprido.
Um braço repousava sobre o encosto, as pernas cruzadas.
Sua outra mão estava sobre o joelho, os dedos indicador e médio batendo em um ritmo constante.
Um leve sorriso pairava em seus lábios finos, e todo o seu ser exalava uma aura de rebeldia.
Ao me ver, seu olhar percorreu meu corpo de cima a baixo.
Ele assobiou alto e de forma insinuante, zombando: — Não é à toa que conseguiu conquistar o coração daquele iceberg. A cunhada não só tem um rosto bonito, mas um corpo bastante sedutor. Uma verdadeira deusa na Terra.
Estreitei os olhos, observando cuidadosamente os arredores.

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