Dagoberto Gomes sorriu, satisfeito.
Ele segurou meu rosto e me deu um beijo profundo.
A capacidade de aprendizado dos homens era impressionante.
Em poucas horas, sua técnica de beijo evoluiu de desajeitada e impetuosa para terna e cativante.
Na manhã seguinte, abri os olhos e me deparei com um par de pupilas castanhas, gentis como a água.
Dagoberto Gomes, já arrumado, estava deitado de lado, com uma mão apoiando a cabeça e a outra segurando a minha, com os dedos entrelaçados.
Ontem tudo aconteceu de repente.
Fui abraçada, beijada, tocada e dormi com ele, tudo em um estado de confusão.
E, para esclarecer, dormir aqui significa apenas dormir.
Depois de uma noite de reflexão, ao ver Dagoberto Gomes novamente, a timidez me inundou como uma maré alta.
— Já dormimos juntos, por que a vergonha? É algo que aconteceria mais cedo ou mais tarde, de qualquer forma.
O que ele queria dizer com “mais cedo ou mais tarde”?
Ele não estava pensando em ir direto ao ponto, estava?
Impossível.
— Saia, eu preciso me levantar.
Tentei empurrar o ombro de Dagoberto Gomes, mas ele parecia soldado no lugar, imóvel.
Seu rosto, que fazia meu coração disparar, se aproximou ainda mais do meu.
Oh, céus, ele não ia me beijar logo de manhã, ia?
Cobri meus lábios e recuei, com a voz alterada pelo pânico.
— Dagoberto Gomes, você, você, não faça isso, eu ainda não escovei os dentes.
Dagoberto Gomes riu, seus olhos amendoados cheios de alegria.
Ele bagunçou meu cabelo com sua mão grande.
— No que está pensando? Isso e aquilo... Eu já disse, não vou tocar em você antes de te dar um título oficial. Vá tomar um banho, vou preparar o café da manhã.

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