Cecí, livre de qualquer ilusão romântica, era realmente uma mulher de temperamento quente. Mesmo bêbada feito um gato, ainda assim reconheceu a voz de Víctor Laranjeira. Enquanto recusava com firmeza a ajuda dele, não parava de xingá-lo, alternando entre canalha, cafajeste e outros insultos nada lisonjeiros.
Com muito esforço, finalmente consegui colocar Cecí no banco de trás do carro.
O veículo entrou na avenida principal e, ocupada em cuidar de Cecí, nem reparei no que acontecia do lado de fora.
Não havíamos percorrido muita distância quando o motorista avisou:
— Srta. Lobato, aquele carro preto está nos seguindo. Deseja que eu desça para resolver a situação?
Levantei os olhos para o retrovisor e vi o Maybach de Víctor Laranjeira logo atrás. O rosto dele, à luz intermitente dos postes, exibia um sorriso leve, quase como uma máscara cuidadosamente pendurada.
— Se ele quer seguir, que siga. Não precisa se preocupar com isso.
— Entendido, Srta. Lobato.
Víctor Laranjeira nos acompanhou durante todo o trajeto. Quando nosso carro parou, ele também parou, saiu de seu carro e veio até onde estávamos.
No meio do caminho, Cecí finalmente sossegou e agora dormia profundamente.
Víctor Laranjeira abriu a porta do carro justamente quando Cecí, em meio ao sono, murmurou:
— Víctor Laranjeira, José Godoy, seus canalhas...
Usava a ajuda dos outros, mas não deixava de xingá-los, como se isso não fosse de uma ingratidão absurda.
Seria melhor guardar os xingamentos para quando chegasse em casa.
Com um pouco de constrangimento, passei a mão pela testa, querendo me explicar.
Mas Víctor Laranjeira virou-se rapidamente para mim, e em seus olhos escuros, por um instante, brilhou um lampejo frio e cortante.
— José Godoy já te importunou?
Achei curioso ele ter usado a palavra "importunar" em vez de algo mais polido, como "incomodar".
— Não chegou a tanto, mas ele já tentou falar comigo.

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