Meus sonhos foram caóticos.
Vi o gordinho que sentava ao meu lado, enchendo minha gaveta com doces importados caros, sorrindo com seus olhos reduzidos a duas fendas.
— Coma, tenho mais em casa. Guardei tudo para você.
Lembrei-me daquele acidente.
No sonho, senti claramente a força das mãos que me abraçavam, a respiração pesada e assustada dele.
E aquele cheiro suave de agulhas de pinheiro me acompanhou até sermos resgatados.
Depois, seis anos de confusão, como grandes manchas de cor entrelaçadas, sem nenhuma beleza.
De repente, a primavera chegou, o tempo ficou lindo, e eu voava livremente no céu.
Um rapaz de dezoito anos estava no chão, acenando para mim.
— Francisca, desça logo, cuidado para não cair.
O cenário mudou novamente.
Uma noite escura, uma cama macia, braços fortes me envolvendo, um corpo vigoroso e potente me pressionando.
Beijos doces, o contato de pele com pele, gotas de suor quentes, carícias suaves, sussurros, um coração acelerado.
A pessoa sobre mim de repente se transformou em uma pequena cobra, deslizando pelo meu pescoço.
Acordei de sobressalto.
O ar estava impregnado com o aroma suave e rico de vinho.
De fato, havia algo se movendo em meu pescoço, mas não era uma cobra, eram os lábios de Dagoberto Gomes.
— Dagoberto Gomes, o que você está fazendo?
Minha voz estava um pouco rouca por ter acabado de acordar.
Senti que algo estava errado com meu corpo e rapidamente tirei a mão dele que passeava pela minha cintura, tentando afastá-lo.
Pensei que haveria uma luta, mas ele não insistiu.

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