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Casamento de Mentira, Amor de Verdade romance Capítulo 300

O rosto do homem estava claramente visível, bonito de um jeito que até os deuses invejariam. Sua aura era tão imponente que parecia vir diretamente de um príncipe da mais nobre linhagem real.

Esse príncipe, por acaso — ou não —, eu conhecia.

Era Fernando Gomes.

Na foto central, Marina Batista segurava o braço do homem, o rosto jovem e radiante voltado para cima; seus olhos estavam cheios de amor.

Já Fernando Gomes mantinha o olhar baixo. Apesar da expressão ainda fria, era possível notar que aquele gelo ao redor dele já não era tão intenso.

Agora tudo fazia sentido: não dormira a noite toda, pois precisava voltar para um encontro secreto com sua amada.

Se eu soubesse disso antes, de jeito nenhum teria permitido que ele voltasse comigo para a casa dos meus pais. Se atrapalhasse o romance deles, eu não seria nada menos que um cupido de porrete na mão, separando os pombinhos à força.

O inverno em Cidade B era frio demais, frio a ponto de gelar o coração.

Ele não dizia que não sentia nada por ela? Que era só uma relação de irmãos?

A boca dos homens é mesmo cheia de mentiras. Se fosse para acreditar em tudo o que dizem, até um porco velho subia em árvore.

Desliguei o abajur ao lado da cama, joguei o celular para o canto, massageei o peito sufocado e tentei dormir.

Mas, não sei por quê, toda vez que fechava os olhos, lá estava a imagem de Marina Batista abraçada ao braço de Fernando Gomes. Até que, já dormindo, meu cérebro deu sequência automática àquela foto.

No sonho, Marina Batista puxava Fernando Gomes para um quarto repleto de flores. Seus dedos delicados acariciavam o pomo de Adão dele.

O olhar de Fernando Gomes escurecia, o pomo subia e descia devagar, porém com firmeza. Ele segurava a cintura fina de Marina Batista, o polegar deslizando pela pele exposta sob a roupa dela. Duas chamas surgiam nos olhos dele, ardendo intensamente. Com um brilho impressionante no olhar, ele capturava com urgência os lábios vermelhos de Marina Batista e mordia com força.

Ao mesmo tempo, senti como se uma marreta me acertasse a cabeça; a segunda pancada veio no peito, uma dor aguda e avassaladora me arrancou do sono. Acordei de repente e percebi que estava deitada em casa — aquela cena de paixão ardente não passava de um sonho.

Rolei na cama por muito tempo antes de conseguir adormecer de novo.

Na manhã seguinte, às nove horas, José Godoy me ligou para avisar que já havia reservado o restaurante. O encontro seria às sete da noite.

Cecí, acordada pelo toque, se enrolou toda na cama como uma cobra, reclamando em todos os tons possíveis. Por fim, gritou com a voz rouca:

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