Recostei-me no banco e esfreguei a testa.
Uma onda de impaciência começou a crescer dentro de mim.
— Há mais alguma coisa?
— Daniel Santos adoeceu gravemente de novo e foi hospitalizado. Ontem à noite, ele fugiu do hospital. As autoridades esconderam a notícia, só recebi a informação há meia hora. A fuga dele, desta vez, deve ter um propósito importante. Ele provavelmente está preparado para um ato desesperado. Já tomei várias medidas de precaução, mas ele está nas sombras e nós, na luz. Não podemos garantir que não haverá acidentes.
Minha cabeça começou a doer, como se um fio estivesse sendo puxado da minha testa até a nuca.
— Você quer dizer que Daniel Santos pode me fazer mal?
Fiz uma pergunta retórica.
Lília Santos quis me matar por causa de Daniel Santos.
Embora Lília Santos tenha tido o fim que merecia, Daniel Santos certamente jogaria todo o seu ressentimento em mim.
Sua fuga do hospital não tinha apenas a mim como alvo, mas eu certamente era um deles.
Mas foram eles que erraram.
Eu estava apenas defendendo meus próprios direitos.
Eles apenas receberam a punição que mereciam.
Por que a culpa de tudo recaía sobre mim?
Fernando Gomes deu um tapinha reconfortante na minha mão, que estava apoiada no console central.
Sua voz se suavizou.
— O mais importante agora é a sua segurança. Tenho duas propostas. A primeira são os seguranças. Você pode contratar os seus, se quiser, mas eu não confio neles. O interesse pode corromper as pessoas. A segunda é a sua moradia. A segurança aqui é boa, mas não o suficiente para deter alguém determinado a entrar.
— Francisca Lobato, você pode voltar a morar comigo? Pelo menos até Daniel Santos ser capturado, volte a morar comigo.
Fiquei em silêncio, ponderando se deveria ou não me mudar.
Voltar significaria me envolver com ele novamente.
Embora evitasse Daniel Santos, ainda haveria as famílias Gomes e Batista.

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