Dr. Erick, encolhido em um canto, provavelmente rezava por Lion.
Bem feito.
Apanhou pouco.
Lion era bonito, mas não deveria ter uma boca.
Que monte de besteiras ele falou.
Deveria apanhar mais.
Até morrer.
— Dagoberto Gomes, veja só os seus ótimos subordinados! — Gritei, furiosa, e marchei para o quarto.
Fechei a porta do quarto e a tranquei.
Depois de alguns passos, ainda insegura, voltei e acionei a trava dupla.
Só então, sentindo-me segura, peguei um roupão e fui para o banheiro.
Aquela tempestade quase me matou de susto, e meu corpo estava encharcado de suor frio, com um cheiro azedo.
Eu não sabia como Dagoberto Gomes conseguira me abraçar sem se incomodar.
Pensar que meu primeiro beijo foi roubado de forma tão desajeitada só aumentava minha indignação.
Enquanto tomava banho, pensava em como poderia reverter a situação.
Depois do banho, saí da banheira e me olhei no espelho de corpo inteiro.
Minha pele era de um branco cremoso, lisa e sem falhas.
Eu tinha seios fartos, uma cintura fina e flexível, e pernas longas e retas.
Meu pescoço era fino e alongado, com uma clavícula de linhas suaves.
Passei a mão suavemente pela pele firme da minha cintura, fechei os olhos e imaginei as cenas íntimas descritas nos romances, onde amantes se entregavam a uma paixão avassaladora.
Os gemidos graves do homem, os sussurros ofegantes da mulher.
Os movimentos rítmicos e poderosos do homem, o corpo da mulher entregue ao prazer.
O toque dos meus dedos em minha pele provocou um arrepio delicado, e uma voz ecoou dentro de mim.
Não consegui entender o que a voz dizia, apenas senti uma timidez e uma inquietação que nunca havia experimentado.
Quando nos abraçamos mais cedo, a reação do corpo de Fernando Gomes foi óbvia.
Se ninguém tivesse batido na porta, o que teria acontecido a seguir era imprevisível.

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