No dia seguinte, ao acordar, senti que algo estava diferente.
O quarto parecia festivo, cheio de coisas vermelhas.
Dagoberto Gomes estava sentado na cama, enrolado no cobertor, segurando duas certidões vermelhas.
Ele as beijava, acariciava e abria repetidamente, com um ar de pura felicidade.
Quando eu estava prestes a perguntar, o celular na cabeceira começou a tocar sem parar.
Peguei-o e vi mais de noventa e nove mensagens não lidas.
Meu Instagram estava sendo bombardeado de notificações.
Dagoberto Gomes, que nunca postava nada, publicou uma foto que já tinha mais de duzentos comentários.
Olhei atentamente para a foto e senti minha cabeça, pesada pela ressaca, explodir.
A foto era de duas certidões de casamento.
E as fotos nas certidões eram de mim e de Dagoberto Gomes!
— Dagoberto Gomes, de onde vieram essas certidões de casamento?
Dagoberto Gomes se aproximou com um sorriso, deu um selinho em meus lábios e disse, orgulhoso:
— Do cartório, é claro.
— Como assim, certidões de casamento? São de verdade ou falsas?
Eu só tinha comemorado meu aniversário e bebido um pouco a mais.
Como acabei com uma certidão de casamento?
— Claro que são de verdade. Mas a culpa não é minha. Foi você quem insistiu em me levar para casar. Fui forçado, mas estou muito feliz. Não, estou extremamente feliz.
Claro que eu não acreditei em sua história.
Ele me pedia em casamento quase todos os dias.
No começo, eu recusava seriamente.
Depois, cansada de sua insistência, passei a ignorá-lo, afastando-o com o pé para lembrá-lo de não ficar no meu caminho.
— Estou dizendo a verdade. Eu sabia que você não acreditaria. Olhe você mesma.
Ele me enviou um vídeo.
Abri e assisti por menos de um minuto antes de desligar.
Eu não conseguia olhar.
Simplesmente não conseguia.

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