Eu quase tinha esquecido da existência daquela pessoa.
Ultimamente, minha vida estava uma bagunça, acontecia uma coisa esquisita atrás da outra, e Lília Santos, alguém tão irrelevante, já tinha ficado totalmente no esquecimento.
Quando tudo aconteceu, eu chamei a polícia. Víctor Laranjeira ainda colocou mais lenha na fogueira, confirmando de vez os crimes financeiros de Daniel Santos. Ouvi dizer que descobriram outras coisas também, crimes ainda mais graves. Antes do feriado de Ano Novo, ele já tinha sido condenado a sete anos de prisão.
Daniel Santos tinha cinquenta e sete, cinquenta e oito anos, estava no auge da experiência e das capacidades. Forte, ativo, mas, depois de sete anos, ao sair, seria inevitavelmente descartado pelo mundo. Recomeçar? Provavelmente, só na imaginação.
Em outras palavras, ele destruiu a própria vida com sua arrogância. O que restava dali em diante era só sobreviver e esperar a velhice.
Com Lília Santos como filha, talvez a velhice não fosse um problema tão grande.
Olhei de novo para Lília Santos, sendo levada para a ambulância. Mesmo sem ser médica, dava para ver que seus ferimentos eram graves demais—não se sabia se sobreviveria, quem dirá cuidar da aposentadoria do pai.
Daniel Santos não era uma boa pessoa, mas era um excelente pai. Ouvi dizer que assumiu toda a culpa e ainda pediu para alguém ajudar a Lília Santos a sair do país.
Quando ela voltou? Por que voltou? Por que queria me matar? O que aconteceu que eu não sabia?
Segundo os planos de Daniel Santos, ela poderia ter ficado tranquila no exterior, vivendo em segurança até envelhecer.
Mas hoje, sua atitude foi uma tentativa de homicídio sem rodeios. Havia provas e testemunhas. Mesmo que sobrevivesse ao resgate, teria que pagar um preço altíssimo.
Da última vez que cometeu um erro, eu não fui atrás, deixei pra lá. Achei que, uma vez indo embora, cada um seguiria sua vida em paz.
Desta vez, não seria assim. Ela teria que pagar.
Ela tentou me matar, tirou minha vida como alvo. Eu não sou santa, não vou perdoar!
Duas ambulâncias levaram Víctor Laranjeira e Lília Santos. Eu fui colocada no carro pelos seguranças de preto que me tiraram de lá, e segui para o hospital também.

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