Entrar Via

Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 97

Dante

Eu odeio esse tipo de evento.

Odeio salões grandes demais, luzes calculadas demais, sorrisos treinados demais. Odeio a forma como homens se vestem de civilidade para esconder a fome. Odeio a música baixa que não serve para dançar, só para preencher silêncio desconfortável. Odeio a política vestida de gala.

Mas, acima de tudo, odeio quando acham que podem me afastar da única coisa que eu prometi proteger.

Beatrice teve a audácia de tentar.

Não foi explícita. Beatrice nunca é. Ela trabalha com entrelinhas, com convites disfarçados de gentileza, com projetos que sempre precisam ser vistos "a sós". Durante anos, isso funcionou. Durante anos, eu aceitei porque era assim que o jogo era jogado.

Mas homens mudam quando fazem promessas.

E eu prometi à Valentina que não a deixaria sozinha.

Promessa, para mim, não é frase bonita.

É contrato assinado com sangue invisível.

Edward Collins estava à minha frente agora, falando sobre logística, sobre investimentos cruzados, sobre como Londres continua sendo uma cidade que respeita quem chega sem pedir licença. Um homem inteligente. Calmo. Olhar limpo. Um negociador que entende quando parar de falar.

- O senhor construiu algo sólido, Don Vitale - ele dizia. - Não só em números. Em presença.

Assenti, ouvindo de verdade. Collins não tentava me medir. Conversava comigo como um igual. Isso é raro. Isso se respeita.

Mas mesmo enquanto conversávamos, minha atenção não estava inteira ali.

Ela estava com ela.

Valentina se destacava sem esforço. Não porque queria ser vista, mas porque algumas mulheres não sabem ser invisíveis. O vestido preto parecia desenhado para lembrar ao mundo que elegância também pode ser arma. Ela andava com a postura de quem já sobreviveu a coisas que ninguém naquele salão aguentaria.

E grávida.

Carregando dois corações que agora fazem parte da equação de todos os meus medos.

Quando ela disse que precisava ir ao banheiro, algo em mim travou.

Foi rápido. Um segundo. Um desvio mínimo de instinto. Mas eu senti.

Ver Valentina se afastar sem mim mexeu mais do que eu esperava. O salão continuou ali. A conversa seguiu. Mas uma parte minha foi junto com ela, acompanhando cada passo.

Virei o rosto.

Mario já vinha na minha direção, como se tivesse sentido o mesmo deslocamento no ar. Sofia estava ao lado dele.

- Don - ele disse, baixo.

- Manda a Sofia ir ao encontro da Valentina - respondi sem hesitar. - E você fica perto.

- Pode deixar, Don.

Eles saíram juntos, rápidos, coordenados. Do jeito que eu confio.

Foi quando Beatrice se aproximou.

Ela enlaçou meu braço com naturalidade ensaiada demais para ser inocente. A proximidade veio acompanhada do perfume caro e da voz baixa, calculada.

- Dante... há um projeto que eu gostaria muito de te mostrar - murmurou. - Está em uma das salas laterais. Algo que pode te interessar bastante.

Olhei para ela. Devagar.

Com calma.

Tirei o braço dela do meu.

- Não - respondi, simples. - Estou aguardando minha esposa.

O sorriso de Beatrice não caiu. Mas os olhos... os olhos falharam por meio segundo. Decepção pura. Crua. Estampada.

Ela assentiu, recompôs a postura.

- Claro - disse. - Como preferir.

Carmella surgiu logo depois, como sempre surge quando não deveria.

- Onde está minha mulher? - perguntei, direto, já irritado.

- Ela ficou no banheiro com a amiga - respondeu, tranquila demais. - Não deve demorar.

Ela se virou para Beatrice.

- Recebi aquela ligação que você aguardava.

As duas trocaram um olhar. Curto. Rápido. Preciso. Algo ali não encaixou.

Antes que eu pudesse pressionar, Mario voltou. O rosto dele não trazia boas notícias.

- Don... - ele começou.

- Fala.

- A Sofia me ligou. Disse que a senhora Vitale está com sangramento.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Vendida Ao Don Da Máfia