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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 96

Valentina

Dante disse e saímos os quatro cercados de segurança.

Londres à noite é diferente. Não grita. Observa.

As luzes refletem no asfalto molhado. Os prédios parecem antigos demais para se impressionar com novos reis. A cidade não se curva, mede.

E naquela noite, ela estava nos medindo.

A entrada no baile foi silenciosa por meio segundo.

Depois, virou espetáculo.

Cabeças se viraram. Conversas cessaram. O nome Vitale atravessou o salão em murmúrios educados demais para esconder curiosidade.

Eu segurei o braço do Dante com mais força do que pretendia.

- Respira. - ele murmurou. - Eles só estão olhando porque não podem tocar.

Sorri para ele, e tudo foi como Dante nos disse. Os homens olhavam para mim e Sofia como se fossemos um pedaço de carne pronto para ser devorado. Era tão asqueroso ver homens agirem assim mesmo estando acompanhada.

Dante me puxou mais para ele, e Mario fez o mesmo com Sofia que só ria de todo aquele ciúmes possessivo dele.

Foi quando eu a vi.

Beatrice.

Elegante. Impecável. Sorriso treinado.

Ao lado dela, sua assistente Carmella.

E meu corpo lembrou antes da minha cabeça permitir.

A última vez que estivemos assim, ela me provocou a noite inteira. E Beatrice levou Dante embora por "cinco minutos" que viraram quarenta.

O desconforto subiu rápido.

Beatrice se aproximou primeiro.

- Dante... - disse, tocando o braço dele de forma sutil demais para ser inocente.

- Beatrice. - ele respondeu, polido. Recuando meio passo. - Lembra da minha mulher, Valentina.

- Claro. - ela sorriu para mim, antes de perguntar. - Como vai, Valentina Rojas?

Senti a provocação no ato, mas "meu homem" foi mais rápido.

- Vitale. Valentina Vitale, minha esposa, mãe dos meus filhos.

Ela sorriu para ele.

- O Don sempre certeiro como flecha no alvo.

- E rápido, como projétil saindo do cano. - Dante respondeu sem hesitar.

Beatrice pareceu não se abalar, manteve a postura.

- Como eu ia dizendo, sempre é um prazer revê-la, senhora Vitale.

Carmella não perdeu tempo.

- Lembra de mim senhora Vitale, passamos um bom tempo juntas na última vez.

- Como vai Carmella? - perguntei tentando ser educada.

- Bem, obrigado por perguntar. Já esteve em um evento ministerial antes, senhora Vitale? - perguntou, alto o suficiente para ser ouvido. - Londres costuma ser... intimidadora para quem não está acostumada.

Eu sorri.

- Intimidadora é a vida. - respondi. - Salões são só cenários.

Antes que Carmella reagisse, Sofia se adiantou:

- E convenhamos... - minha amiga disse, olhando a mulher de cima a baixo. - Quem está confortável de verdade não precisa testar território.

Carmella engoliu seco. Mario apertou a cintura da namorada em aprovação.

Beatrice pigarreou, tensa.

- Dante, eu queria te apresentar alguém importante. - disse. - Se me acompanhar...

Ela estendeu o braço. Meu corpo enrijeceu.

Memória antiga. Briga antiga.

Mas dessa vez... o ato foi novo.

- Mostre o caminho, Beatrice. - Dante respondeu, entrelaçando o braço no meu. - Minha esposa e eu adoraríamos conhecer tal pessoa.

Eu virei o rosto para ele, surpresa. Dante piscou para mim.

Beatrice congelou por meio segundo.

Foi rápido. Mas eu vi.

E vi mais.

Quando os olhos dela cruzaram os meus, não havia elegância ali.

Havia fúria.

Ela me olhou como se eu tivesse roubado algo que sempre foi dela.

O arrepio voltou e meu marido notou.

- Tá tudo bem, mia vita? - Dante perguntou.

- Está sim, amor. - respondi, me recompondo. - Vamos conhecer a tal entidade.

Ele riu e beijou minha testa.

O casal apresentado se chamava Edward e Margaret Collins. Empresários antigos. Elegantes. Gentis.

Margaret foi um alívio imediato. Conversa leve. Olhar sincero.

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