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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 95

Valentina

Há palavras que a gente diz achando que vão se perder no vento. Confissões que parecem seguras porque não foram feitas olhando nos olhos de ninguém.

Eu achei que aquele momento na varanda tinha sido só meu. Meu e da Sofia. Meu e da cidade cinza que não me conhecia.

Eu não sabia que o vento tinha ouvido. Muito menos que tinha levado tudo até ele.

Agora, deitada entre lençóis caros, com o corpo ainda quente da forma como Dante me amou, eu revisito cada frase dita em voz baixa, cada verdade que eu deixei escapar sem defesa.

"Não existe Valentina sem Dante."

Eu não disse para prendê-lo. Disse porque era verdade.

Amar o Dante nunca foi sobre precisar. Foi sobre reconhecer.

Reconhecer que, ao lado dele, eu deixei de sobreviver. Passei a existir inteira.

Quando o corpo começou a esfriar, ele me pegou no colo e fez o que sempre faz depois que nos amamos... cuidou de mim.

Me colocou na banheira, me lavou, me beijou, me fez rir e me fez sentir a mulher mais amada desse universo. Depois de me colocar na cama e me ver suspirar satisfeita, ele perguntou.

- Como você está se sentindo?

- Bem. - respondi tranquila, porque era a verdade.

- Que bom, mia vita... porque hoje à noite nós vamos sair.

- Sair? - perguntei confusa e ele me beijou antes de murmurar.

- Sim, amore mio. Hoje é o dia de apresentar a senhora Vitale a Londres.

Eu me afastei dele com cuidado, ainda confusa, e apoiei o cotovelo no colchão.

- Apresentar... como assim? - perguntei.

Ele sorriu daquele jeito perigoso. O sorriso que anuncia que algo já foi decidido.

- Há um baile hoje à noite. - explicou. - Oficial. Elegante. Político demais para ser ignorado. E estratégico demais para eu ir sozinho.

Meu estômago revirou. Não de enjoo, de alerta.

- É seguro? - perguntei, sem rodeios.

Ele se aproximou, apoiando uma mão firme na cama.

- Nada é cem por cento seguro. - ele disse. - Mas eu não vou sair do seu lado. Nem por um segundo. E o Mario também não.

Houve um silêncio curto. Eu o conheço o suficiente para saber quando ele já mapeou cada rota, cada saída, cada ameaça possível.

- Eu já providenciei tudo. - completou. - Os vestidos. A equipe. A logística. Sofia também vai.

- Você fez tudo isso sem me perguntar? - provoquei, erguendo uma sobrancelha.

- Claro. - ele respondeu. - Porque se eu perguntasse, você diria não. E eu preciso que Londres veja exatamente o que eles acham que podem ameaçar... viva, elegante e intocável.

Respirei fundo. Parte de mim queria ficar trancada naquele quarto. A outra parte sabia: esconder-se nunca foi opção ao lado de Dante.

- Tá bom. - cedi. - Mas se eu sentir qualquer coisa estranha...

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