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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 94

Dante

Valentina prendeu o ar. Foi tão breve quanto um estalo, mas tão profundo quanto um colapso interno. Ela virou o rosto devagar, como se tivesse medo do que encontraria nos meus olhos. E quando nossos olhos se encontraram, os dela se encheram num segundo.

- Quanto... quanto você ouviu? - sussurrou, a voz tremendo só na última sílaba.

Aproximei mais o corpo, prendendo ela entre mim e a cidade que ousou ameaçar nossos três corações.

- O suficiente para saber que, se eu tivesse morrido na reunião, eu voltava para te ouvir de novo. - respondi, a boca quase tocando a dela.

Um silêncio caiu entre nós. Denso. Vivo. Um tipo de silêncio que faz promessas.

Minha mão deslizou da cintura para a barriga dela, meus dedos se abrindo sobre o tecido fino.

- "Não existe Valentina sem Dante"... - repeti, baixo, como quem prova palavras raras. - Você não faz ideia do que isso faz comigo.

Ela fechou os olhos, um arrepio subindo pelo pescoço.

- Eu não devia ter falado... - murmurou.

- Devia sim. - interrompi, segurando o queixo dela com cuidado. - Porque é a verdade. Porque você sente. E porque eu sinto o mesmo... desde antes de você ser minha por inteiro.

Os olhos dela se abriram devagar, enormes, brilhantes, delicados e ferozes ao mesmo tempo.

- Dante...

- Não fala nada. - pedi. - Eu falo por nós dois agora.

Encostei minha testa na dela.

- Eu te amo do tipo que muda geografia. Que redesenha mapas. Que arranca raízes do chão. Eu te amo do tipo que faz um Don achar que pode ser homem antes de ser rei. Eu te amo porque você me devolveu para mim.

Respirei fundo.

- E porque, amor da minha vida, não existe Dante sem Valentina também.

Ela respirou como se eu tivesse tirado peso dos pulmões dela.

Meu polegar roçou o canto da boca dela.

- Vem cá.

E antes que ela respondesse, eu a levantei do chão.

Valentina se agarrou ao meu pescoço, as pernas enroscando na minha cintura por instinto. Entrei com ela no quarto escuro, iluminado só pelo reflexo frio de Londres atravessando a janela.

Fechei a porta com o pé.

A respiração dela bateu quente contra minha clavícula.

- Dante...

- Eu tô aqui. - garanti. - E hoje você não vai pensar em tempestade nenhuma. Só em mim.

A deitei na cama devagar, como quem devolve uma joia ao lugar certo. O xale escorregou pelos ombros dela, revelando a camisola fina que não escondia absolutamente nada do que era meu.

Meu corpo inteiro reagiu antes do pensamento acompanhar.

Ela me puxou pela gravata, com aquele gesto pequeno que sempre acaba comigo.

- Me beija. - pediu, urgente, mas suave.

Beijei.

Devagar primeiro. Como quem saboreia território. Depois mais profundo. Como quem reclama o que é seu.

As mãos dela subiram pelo meu peito, abriram botões, buscaram pele. As minhas desceram pela curva da cintura, pela lateral das coxas, pela barriga onde dois corações pequenos aprendiam a existir.

Eu a conheço. Cada suspiro. Cada silêncio. Cada tremor que o corpo dela faz antes de ceder inteiramente. Valentina me puxou mais para perto, o beijo ficando mais quente, mais lento, mais cheio de intenção do que pressa.

- Dante... - ela sussurrou contra minha boca, as mãos segurando meu rosto. - Me ama.

Eu quase sorri.

- Eu faço isso desde o primeiro olhar, mia vita.

E fiz de novo. Mas não como urgência. Como reverência.

Meu corpo se moldou ao dela, atento a cada limite, a cada pedido não dito, a cada toque que ela respondia com um suspiro ou com o deslizar de dedos pela minha nuca.

Ela arqueou o corpo devagar, buscando mais. Sempre tão clara no que quer, mesmo quando não diz.

- Assim? - perguntei, a boca na curva do pescoço dela.

- Assim... - ela respirou, os dedos apertando meu ombro. - Desse jeito. Sempre desse jeito.

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