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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 88

Dante

"Not every heart can survive the storm."

Nem todo coração sobrevive à tempestade.

A frase ficou presa na minha mão mesmo depois de eu amassar o cartão. Como se as letras fossem farpas que atravessam o papel e tentam achar carne.

Tempestade.

Eu já vi muitas: no mar, nos portos, na cabeça dos homens. Mas nunca nenhuma tão covarde quanto essa, desenhada para atingir o lugar mais vulnerável que eu já tive: a mulher deitada agora na cama do hotel, com dois corações pequenos brigando por espaço dentro dela.

Valentina não dormiu logo. Nem poderia.

Depois que eu fechei a porta do apartamento e mandei os homens revistarem tudo de novo, paredes, banheiro, tomadas, frestas, o inferno inteiro, ela sentou na beira da cama, olhando para o nada. O vestido ainda no corpo, o xale caído no chão. As mãos tremiam pouco, mas eu conheço os tremores dela: aquele era o tipo que nasce no medo e termina em raiva.

Aproximei devagar, como quem chega perto de pólvora com fósforo apagado.

- Valentina... - chamei, sentando ao lado. - Olha pra mim.

Ela demorou alguns segundos, como se tivesse que atravessar um corredor longo por dentro até chegar aos meus olhos. Quando chegou, o que eu vi doeu mais do que qualquer ameaça impressa em papel caro.

- Eles estão falando dos bebês. - a voz saiu fina, mas firme. - "Nem todo coração sobrevive à tempestade"... eles estão falando deles.

Levei a mão ao rosto dela, segurando com o cuidado de quem segura vidro e universo ao mesmo tempo.

- Eles acham que estão. - corrigi, baixo. - Mas não conhecem você. Não conhecem a gente. Não fazem ideia de quantas tempestades você já atravessou antes de me encontrar.

Os olhos dela encheram, mas não transbordaram.

- E se... - a frase engasgou - ...e se essa for grande demais?

Respirei fundo. Não sou homem de promessas vazias; sou homem de guerras anunciadas. Ainda assim, naquele momento, mais do que Don, eu era marido. E marido, às vezes, precisa prometer coisas impossíveis só para o medo calar por alguns minutos.

- Enquanto eu respirar, ninguém encosta em você. - falei, cada palavra um pacto. - Já te tirei de corredor errado, de ex errado, de vida errada. Agora vou te tirar da mira desses covardes também. E se a tempestade vier... a gente atravessa junto. Três corações, lembra?

Minha mão desceu para a barriga dela. Ela cobriu meus dedos com os dela, num gesto pequeno que valeu mais do que qualquer contrato.

- Três corações. - repetiu, num sussurro. - Mas só um corpo. O meu.

- Que, por acaso, pertence a mim. - rebati, tentando puxar um mínimo de normalidade. - Então eles vão ter que negociar com o Don, não com a mulher assustada.

Ela bufou um riso curto.

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