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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 86

Valentina

O avião começou a se mover. Eu fechei os olhos quando senti o impulso da decolagem, a força do mundo tentando nos puxar de volta enquanto nós subíamos.

Dante apertou minha mão.

- Respira comigo. - murmurou.

Inspiramos juntos. Expiramos juntos.

Quando o avião estabilizou, ele soltou o ar mais longo que eu já ouvi.

- Uma parte de mim ainda acredita que isso é loucura. - confessou. - Levar você para Londres quando até um covarde arrependido mandou aviso.

- Uma parte de mim também. - admiti. - Mas a outra parte está cansada de ser jogada para fora da própria história. Se vão tentar me atingir... que me encontrem do seu lado. Não de costas.

Ele me olhou por um tempo, como quem tenta decorar meu rosto antes de uma batalha.

- Você tem mais coragem do que juízo. - disse, por fim.

- Eu aprendi com você. - rebati.

Ele riu, baixo, e por alguns minutos nós só ficamos ali, encostados, olhando o nada pela janela. Céu demais, nuvem demais, pensamentos demais.

Em determinado momento, o enjoo veio com força. Levei a mão à boca, fechei os olhos.

- Mal-estar? - Dante já estava meio levantado, meio desesperado, meio pronto para derrubar o avião se fosse preciso.

- Calma, Don. - tentei rir. - Acho que é só seus filhos lembrando que não gostam de turbulência.

Ele pegou o chá que Elisa preparou, cheirou antes (porque agora até chá tem que passar por perícia emocional) e me ofereceu.

- Bebe um pouco. - pediu. - Só um gole.

Obedeci. O gosto era suave. O enjoo não desapareceu, mas cedeu espaço.

- Obrigada. - murmurei.

Ele beijou minha mão, como se esse gesto, tão pequeno, fosse mais para acalmar a si mesmo do que a mim.

Horas depois, o anúncio do piloto ecoou pelo avião.

- Preparando pouso em Londres.

Londres.

A palavra, dita em inglês, soou diferente. Fria. Cortante. Como se a cidade inteira fosse uma lâmina esperando o momento de cortar.

Olhei pela janela. O céu estava cinza como em filme dramático. O tipo de cinza que não escolhe entre chuva e neblina, decide ficar no meio, só para incomodar.

Dante ajeitou o cinto, mas não desgrudou de mim.

- Quando pousarmos, você não sai do meu lado. - determinou. - Não conversa com ninguém que eu não apresentar. Não encosta em nada que eu não disser que é seguro.

- Sim, chefe. - brinquei. - Posso respirar ou precisa de autorização?

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