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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 78

Valentina

Algumas memórias não passam... elas respiram dentro da gente.

Paris respira em mim todos os dias desde que voltamos.

Toda vez que fecho os olhos ainda vejo o brilho das velas no alto da Torre Eiffel, o anel brilhando na minha mão, o homem ajoelhado, o mesmo homem que já incendiou portos, destruiu impérios e carregou cadáveres nas costas, me dizendo com a voz mais baixa do mundo que eu era o amor da vida dele.

Três semanas.

É o tempo que passou.

Três semanas desde que deixei um pedaço do meu medo em Paris e trouxe de volta apenas o que vale a pena carregar: Dante, nosso filho, e a certeza absurda de que o amor depois da dor existe e vive.

Mas não pense que Paris o suavizou.

Ele voltou mais dele do que nunca.

Mais Don.

Mais homem.

Mais... pai.

E isso, meu amor, não é pouca coisa.

Desde o bilhete com a ameaça, aquele em que dizia que meu bebê não merecia nascer, Dante transformou a mansão em Florença em um campo militar com flores na janela. Guardas, câmeras novas, sensores de movimento, rotas de fuga revisadas. Até o chá agora vem com escolta armada. Se eu espirro, dez pessoas surgem perguntando se quero água, almofada, comida, missa.

Mas hoje...

Hoje é o dia que muda tudo.

Hoje vamos ver o bebê pela primeira vez.

O ultrassom já está montado. Dentro da nossa mansão. Sim, dentro. Dante não achou suficiente me levar ao consultório, ele trouxe o consultório até mim. Melhor: trouxe a médica, os equipamentos, uma sala inteira transformada num consultório particular com cheiro de lavanda e luz baixa.

Porque, segundo ele:

"Se o mundo quer tocar o que é meu, eu tiro o mundo de perto."

E às vezes eu acho lindo. Às vezes, assustador. Às vezes? As duas coisas juntas.

Mas neste momento estou sentada à penteadeira, respirando fundo, com uma blusa preta de tecido macio e uma calça confortável. E sentindo o olhar dele atrás de mim através do espelho, como sempre.

Dante encostou no meu ombro devagar, como quem segura dinamite com carinho.

- Você fica ainda mais bonita quando tenta disfarçar que está nervosa. - ele falou, baixinho, com um sorriso que me desmonta.

- Não estou nervosa. - menti.

Ele ergue uma sobrancelha.

- Está a ponto de explodir. Eu sinto daqui.

Revirei os olhos, mas o coração falhou com força. Ele deslizou os dedos pelo meu braço, pela cintura, até a curva discreta da barriga. Um toque de posse. Um toque de amor.

Um toque que diz meu lugar é aqui.

- Eu gosto quando usa vestido - ele murmurou perto demais da minha pele. - Mas hoje... com essa calça justa e essa blusa colada... você está uma maldição deliciosa.

Minha respiração falhou.

- Don Vitale - avisei com ar indignado - se continuar falando assim eu vou esquecer que estamos atrasados para o café.

Ele sorri. Aquele sorriso lento. Mortal.

- Café pode esperar. Meu desejo, não.

Ele me virou para ele, aproximou a boca da minha sem pressa, apenas o suficiente para me desestabilizar. Sua mão segurou minha nuca, o polegar roçando minha boca, eu já estava pronta se ele insistisse, e ele sabia disso.

- Depois do ultrassom, eu vou terminar o que comecei. - sussurrou, prometendo terremoto.

E eu acreditei. Porque Dante nunca promete em vão. Mas antes que eu respondesse, Teresa bateu na porta.

- Don? A mesa está posta.

Ele sorriu contra a minha boca e beijou meu queixo, como quem risca fósforo em gasolina.

- Vamos antes que eu te coma aqui mesmo.

- Meu Deus Dante! - o repreendi, e ele piscou pra mim.

Me perdi naquele olhar, esqueci até de respirar... porque respirar é um desafio com esse homem.

Entramos de mãos dadas como sempre, a sala parecia mais viva hoje. A toalha branca, as taças com suco fresco, Teresa servindo ovos mexidos com o cuidado de quem serve bênçãos, Elisa colocando brioches na mesa como se oferecesse paz.

Dante puxou minha cadeira, como sempre. Beijou minha mão antes de deixar eu sentar.

- Está sendo exagerado - avisei, sorrindo.

- Ainda não. - ele respondeu. - O exagero vai começar quando eu colocar sua foto em cada parede da casa, e isso será em breve.

- Santo Deus amor, nem brinca com isso.

- Amore mio, sabe que não sou homem de brincadeira. - ele aproximou o rosto do meu. - O que falo, cumpro. Principalmente quando digo que vou terminar o que comecei lá no quarto depois da consulta, porque você nessa roupa está me matando.

- Controlo-se Don Vitale. - levei os lábios até seu ouvido. - Se o que está em cima já está te deixando assim, imagina quando ver o que tem por baixo, só uma dica... - abaixei o tom de voz. - é vermelha.

Dante rosnou, sim, meu futuro marido rosnou de desejo e eu? Eu ri.

Começamos a comer, e Sofia entrou linda, radiante, com aquele sorriso atrevido.

- Ouvi dizer que teremos exposição de senhorita Rojas na mansão? Se fizer isso, avisa antes pra eu vender ingresso. - ela disse. - Eu ganho uma grana.

Rimos. E é bom rir.

- Rojas não. - Dante a corrigiu. - Da senhora Vitale. - ele pegou minha mão e deu um beijo.

Mario chegou logo atrás de Sofia, discreto, formal, mas o olhar suavizou quando cruzou com o dela. Ela percebeu, eu percebi, o mundo percebeu.

- Bom dia, Don. Senhora. - ele cumprimentou.

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