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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 77

Dante

Criei coragem e voltei a falar.

- Você foi minha descoberta mais inesperada, a resposta que eu não sabia que estava pedindo. Você é o porto onde o Don descansa e o homem existe. E eu... eu quero que o resto da minha vida seja isso: voltar pra você.

Levantei a caixinha, mostrando o anel.

- Então, aqui, em cima dessa cidade que acham que é o lugar mais romântico do mundo, eu quero só registrar o que eu já sei desde a primeira vez que te vi brigar comigo em Florença: eu sou teu. Com nome, com sobrenome, com porto, com tudo.

Respirei fundo.

- Valentina Rojas... - o nome dela pesa e flutua ao mesmo tempo. - Você aceita se casar comigo? Aceita carregar o Vitale não como uma corrente, mas como um abrigo? Aceita ser, oficialmente, o amor da vida de um homem que achou que nunca mais ia amar?

Por um segundo longo demais, ela não fala. Os olhos dela transbordam. As lágrimas descem sem pedir permissão à maquiagem.

Ela ri chorando, balança a cabeça, coloca a mão sobre a boca como se quisesse segurar uma explosão. Quando finalmente abaixa a mão, a voz sai rouca, mas inteira:

- Dante... eu achei que você nunca fosse perguntar.

Ela ri outra vez, chora mais. Eu fiquei entre sorrir e arrancar a resposta à força.

- Amore, per favore... Isso é um sim? - perguntei, porque, com ela, eu aprendi a não confiar em metade de frase.

Ela respira fundo.

- É um sim, meu amor. - disse, enfim, olhando direto nos meus olhos. - Sim pra você. Sim pro nosso filho. Sim pra nossa casa, mesmo quando ela for um campo de batalha. Sim pra amar de novo, depois do amor.

O mundo voltou a girar.

Peguei a mão esquerda dela, ainda trêmula, e deslizei o anel até o lugar onde ele sempre esteve, mesmo sem metal: o dedo que, de alguma forma, sempre apontou pra mim.

Beijei a mão dela. Depois, subi devagar, levantando do chão.

Quando fiquei em pé, ela já estava mais perto, tão perto que consigo sentir o perfume da pele, o cheiro salgado das lágrimas, o calor do corpo que agora é oficialmente meu lugar favorito.

- Senhora Vitale... - murmurei, encostando a testa na dela. - Já era perfeito em você, depois de hoje ficou ainda melhor.

- Ainda sou Rojas. - ela provocou, com um meio sorriso. - Pelo menos até assinar uns papéis aí.

- Documentos são formalidade. - respondi. - Aqui em cima, Deus já entendeu o recado.

Ela ri, baixo e me beija.

O beijo não é apressado, não é desesperado. É profundo, seguro, cheio de tudo o que a gente acabou de prometer sem testemunhas além de Paris e do nosso filho.

Quando nos separamos, ela encosta a cabeça no meu peito por um segundo, como se estivesse ouvindo se o que eu falei combina com o que eu sinto.

- Eu te amo, Dante Vitale. - sussurrou. - De um jeito que eu não achei que fosse mais capaz de amar alguém.

- Eu também te amo, Valentina. - devolvi, sem medo nenhum da palavra. - E ainda vou passar o resto da vida provando isso, até você enjoar.

- Boa sorte. - ela ri. - Enjoar de você não é fácil.

Ficamos alguns minutos só nos abraçando, com a cidade inteira aos nossos pés. Em algum momento, percebi que o vento mudou, que a noite avançou.

E que ainda faltava a última parte do que eu preparei.

- Vem comigo. - eu pedi, afastando um pouco o corpo, sem soltar a mão dela.

- Ainda tem mais? - ela ergueu a sobrancelha. - Você quer matar a grávida de emoção?

- Pelo contrário. - respondi. - Quero lembrar o nosso filho, desde cedo, de que a vida que ele carrega começou numa história que vale a pena ser contada.

Saímos do espaço da mesa e seguimos por um pequeno corredor lateral, até um canto mais reservado da estrutura, onde a vista continua ampla, mas a cidade parece falar mais baixo.

Foi ali que pedi para montarem o resto.

No chão, sobre o deck de madeira, há uma ilha de conforto: edredons grossos, almofadas espalhadas, travesseiros empilhados, como se eu tivesse pego a nossa cama em Florença e trazido pra Paris. A luz é mais baixa, as velas aqui fazem sombras mais longas nas paredes de vidro. Lá fora, a torre continua iluminada; aqui dentro, a chama que me interessa é outra.

Senti Valentina parar por um segundo ao ver.

- Você... - ela inspira fundo. - Você montou um ninho na Torre Eiffel.

- Achei que nosso filho merecia uma história interessante pra contar. - respondi, tirando o blazer devagar. - "Eu fui oficialmente encomendado num forte italiano estacionado em cima de Paris".

Ela ri, aquela risada que tira peso do ar.

- Coitado, Dante. Depois você explica a parte que o pai é exagerado, e que a encomenda foi entregue em Florença.

- Detalhes minha vida, o importante é a história. - digo, aproximando-me.

A puxei delicadamente pela cintura, atento aos limites do corpo dela, à barriga entre nós, à forma como respirava.

- Se em algum momento você se sentir cansada, enjoada, desconfortável... - aviso, sério - a gente para. Hoje eu não tô aqui pra provar nada além do que você já sabe.

Ela apoiou as mãos no meu peito. O olhar é claro, decidido.

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