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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 73

Dante

Me aproximei mais um pouco. Agora estava a menos de um braço de distância. Minha mão ainda estava ali, no ar, disponível, não exigida.

- Me escuta bem. - pedi. - Você não vai me perder. Nem pra nada, nem pra ninguém, nem pra morto, nem pra vivo. Porque a diferença entre o homem que eu era e o homem que eu sou está bem aqui. - toquei, com a outra mão, o próprio peito. - Antes, eu ia pra guerra porque não tinha pra onde voltar. Hoje, eu vou porque sei exatamente pra onde quero voltar. Pra você. Pra esse filho. Pra nossa casa.

Fiz uma pausa.

- O Don vai caçar quem escreveu esse bilhete. - assumi, sem rodeios. - Mas o homem... o homem vai ficar aqui enquanto você precisar. E hoje quem fala mais alto é ele.

Os olhos dela se encheram de lágrimas de um jeito diferente agora. Menos desespero, mais rendição.

Devagar, muito devagar, ela solta um dos joelhos e estende a mão até encontrar a minha.

Quando nossos dedos se encostam, sinto como se o mundo tivesse voltado pro eixo por um segundo.

Aproximei o corpo, cruzei o último espaço e me sentei ao lado dela, encostando nossas costas na mesma parede. Sem pressa, sem urgência. Apenas peso compartilhado.

Ela apoiou a cabeça no meu ombro, como se esse gesto fosse o único lugar seguro que conhece.

- Diz de novo... - ela pede, baixinho. - Que ninguém vai encostar nele.

Virei o rosto, beijei o topo da cabeça dela.

- Ninguém vai encostar no nosso filho. - repeti. - Ninguém vai encostar em você. Quem tentar, eu derrubo. Quem ameaçar, eu apago. E ainda vou ajoelhar na sua frente todos os dias pra agradecer por vocês existirem.

Ela soltou um suspiro longo que pareceu tirar um pouco do veneno do ar.

Ficamos ali alguns minutos, só respirando. A mão dela apertando a minha vez ou outra, como se testasse se eu ainda estava ali. E eu estou. E pretendo estar até o fim.

Quando senti o tremor do corpo dela diminuir, arrisquei um gesto a mais. Com cuidado, virei o rosto e encostei os lábios na têmpora dela. Um beijo. Depois outro. Pequenos. Presentes.

- Você é mais forte do que qualquer coisa que tente te quebrar. - sussurrei. - E eu sou mais perigoso do que qualquer coisa que tente chegar perto de você.

Ela virou o rosto um pouco, me olhando de lado.

- Essa é a mistura que me assusta e me salva. - admitiu.

Nossos olhos se prenderam um no outro. A dor ainda estava ali, mas havia algo por baixo. Algo que insiste em sobreviver: nós.

Sem tirar a mão da barriga, ela levou a outra ao meu rosto, dedos frios tocando a minha barba.

- Me tira desse lugar escuro, Dante. - pediu, num sussurro. - Nem que seja só por um tempo. Me lembra que a vida aqui dentro... - ela apertou de leve a barriga - ...é maior do que a ameaça de um covarde.

Eu a encarei, entendendo o que ela estava pedindo. Não era fuga. Era respiro.

Cheguei mais perto, dessa vez sem hesitar. Envolvi o rosto dela nas minhas mãos e encostei a testa na dela.

- Eu te tiro de qualquer lugar escuro quantas vezes forem necessárias. - respondi.

O beijo nasceu daí. Não era urgente. Era profundo. Ele começou como um pedido de desculpas e terminou como um juramento. Os lábios dela tremeram no início, depois encontraram o ritmo dos meus. Devagar, o medo foi cedendo espaço para outra coisa. Uma coisa que sempre nos puxou de volta um para o outro, mesmo quando tudo estava quebrado: o reconhecimento.

Eu a ajudei a se levantar com calma, sem romper o contato. Ela passou os braços ao redor do meu pescoço, como se fosse esse o único modo de continuar de pé. Eu a peguei pela cintura, sentindo o peso leve dela, e a tirei do chão como quem carrega algo sagrado.

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