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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 61

Valentina

Passamos de volta pelo salão. As luzes riam, Chiara me seguiu com os olhos, Beatrice sustentou um sorriso que parecia um fio. Eu não desviei. Eu era uma mulher sendo tirada da cena pelo homem que escolhi. E era isso.

No carro, o silêncio escolheu sentar entre nós. Eu encostei a cabeça no vidro, sentindo a cidade passar como um filme mudo. Dante dirigia com o gesto controlado de quem quer esmurrar o mundo, mas tem uma mulher grávida ao lado. A mão dele no volante traía o que o rosto não dava: força demais, controle demais.

Ninguém disse "você tá bem?" de novo. Ninguém disse "eu te amo" por educação. A palavra certa naquela hora era nenhuma. O barulho do motor substituiu as frases que não tinham lugar. Em casa, o portão abriu como uma boca discreta e nos engoliu.

Teresa apareceu no hall, olhos perguntando sem perguntar. Eu forcei um sorriso de "depois". Ela entendeu e recuou, ajeitando um jarro que já estava ajeitado, gesto de quem quer consertar o que não depende das mãos.

No quarto, Dante fechou a porta devagar, como se barulho fosse ofensa. Tirou o paletó. O nó da gravata cedeu sob um gesto impaciente. Ele respirou, uma, duas vezes. Eu também. Era uma sala pequena para tanto orgulho.

- Quem te segurou no corredor? - ele começou sem rodeio, ainda de costas.

- Você sabe quem foi. - respondi, sem rodeio também.

- Eu quero ouvir da sua boca. - virou, enfim. O olhar cinza era uma tempestade segura. - Quem encostou em você?

- Giovanni. - falei. A palavra bateu na madeira do móvel e caiu.

- E o que vocês conversaram? - ele avançou um passo, mas parou, como quem respeita o limite que ele mesmo desenhou. - Você estava... chorando?

- Eu não choro por ele. - doeu ter que dizer - Não mais. Ele disse que tava arrependido, que queria reparar, que sabe de coisas. Eu disse que perdão não é passe livre e que o assunto dele com você é com você.

- E você... - Dante mordeu a palavra - ...sentiu o quê?

A pergunta passou por mim como faca de pão: não corta, mas amassa.

- Raiva. - respondi. - E um pouco de nojo. E... - mordi o lábio - ...um medo idiota de ser vista com ele e você pensar o que não existe.

- Eu não penso o que não existe. - ele retrucou, seco. - Eu penso no que vi: você no corredor com um homem que te feriu, e eu não estava ao seu lado.

- Eu saí da mesa porque você não voltava. - respondi, e o azedo finalmente subiu. - Fiquei quarenta minutos contando a mesma música tocar duas vezes. "Cinco minutos", você disse.

- Eu fui tratar de um assunto com a Beatrice sobre Palermo. - ele manteve a voz sob rédea.

- "Assunto" que precisava de risos? De toques? - eu disparei antes de pensar. - Porque de onde eu estava, parecia entretenimento.

Os olhos dele gelaram um grau.

- Não começa.

- Não começo? - ri curto - A assistente dela me espetou metade do jantar, Dante. "Você diz ser Vitale, mas eu não vejo anel." "Fique atenta, Beatrice consegue o que quer." E você some com a viúva mais "impecável" da noite para discutir projeto?

- A assistente dela não define a minha agenda. - ele disse, firme. - E a Beatrice não define a minha vida.

- Mas sabe o caminho pelo salão com você de guia. - devolvi, ardida. - Eu tô grávida do seu filho e fiquei sentada, ouvindo mulheres que nunca pariram um risco falarem da minha posição na sua história como se fosse cadeira puxável.

- Ninguém puxa a sua cadeira. - ele respondeu, e havia fogo e verdade ali - Você é a dona da mesa.

- Pois então sente na mesa comigo. - eu pedi, honesta demais - E não desapareça com uma mulher que sorri como se tivesse o mapa da sua casa no bolso.

Foi como se a palavra "casa" tivesse tocado um nervo exposto. Ele baixou os olhos por um segundo, recuperou-se imediatamente.

- Você confia em mim? - perguntou, de forma simples.

- Eu confio no homem que me escolhe. - respondi. - E desconfio do Don que se distrai.

O silêncio nos tomou. A frase ficou brilhando no meio do quarto. Ele deu um passo, enxugou a barba com a mão, como quem estanca um gesto que desandaria.

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