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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 51

Valentina

- Negativo - ela falou, simples, honesta.

O mundo diminuiu dois números. O ar perdeu a graça. O barulho da fonte do jardim virou uma coisa longínqua. Eu tentei sorrir para a educação do destino. Não consegui.

- Ah... - é o que saiu. Não era palavra; era queda.

Teresa apertou minha mão. Elisa aproximou a cadeira. A doutora não evitou a minha dor; ela ficou.

- Valentina - ela começou, didática como quem cuida - Isso é comum. Uma semana de atraso pode ser só o corpo se ajustando. Seus últimos exames estavam ótimos. Eu vou repetir alguns para a sua tranquilidade, tudo bem? Vamos checar hormônios, ferro, vitaminas. Sem alarmes.

- E se... - a pergunta saiu do meu medo, não da minha razão. - E se o problema for comigo? E se eu não... - não consegui completar. A palavra "capaz" engasgou.

- Não há nada, absolutamente nada, que indique isso - ela respondeu, firme, o olhar me devolvendo o chão. - E mesmo quando há dificuldades, há caminhos. Mas neste momento, o caminho é respirar e checar. Eu vou coletar as amostras agora e trago os resultados em dois dias.

Eu assenti por automatismo. Ela coletou com técnica e carinho, sem me transformar em paciente sem nome. Quando terminou, disse que voltava em dois dias, repetiu que eu chamasse se sentisse qualquer coisa, deixou recomendações para Teresa e Elisa como quem entregava receitas de bolo, simples e exatas. Se despediu com um toque no meu ombro que ficou.

Fiquei com as minhas duas mães, que a vida me deu quando eu achei que estava sozinha. Teresa me beijou a testa.

- Esperar é verbo que a gente conjuga as três aqui - ela falou, firme.

- E comer ajuda a conjugar - Elisa acrescentou, quase sorrindo. - Vou te trazer um prato leve.

- Não quero - saiu antes de eu policiar. - Não desce.

- Eu insisto pouco, porque respeito muito - Teresa admitiu, ajeitando a manta nos meus pés. - Mas pelo menos um chá.

- Daquele de limão com mel. - Elisa sugeriu. - O limão cura melancolia.

- O mel cura aflição - Teresa tentou rimar.

- Eu... não - Eu balancei a cabeça. - Obrigada. De verdade. Deixa eu só... - Procurei uma palavra que não machucasse as duas. Achei "quieta". - Deixa eu só ficar quieta.

As duas entenderam. Não se ofenderam. Me cercaram de silêncio bom: apagaram a luz direta, deixaram a cortina entreaberta, ajustaram o interfone na cabeceira. Saíram no ritmo certo de quem não abandona, mas dá espaço.

Eu virei para o lado de Dante na cama e cheirei o travesseiro dele como quem toma remédio. Chorei sem barulho, só a água que encontrava saída pelos olhos quando o peito ficava pequeno demais.

A tarde passou como quem não quer incomodar. O telefone tocou uma vez; não atendi. Tocou outra. Não atendi.

Teresa bateu de leve duas vezes; eu disse "depois". Elisa voltou com o chá mesmo assim e o deixou no criado-mudo sem comentário. Eu não bebi. O tempo passou com os passos medidos de um hospital imaginário.

Quando anoiteceu, meu telefone vibrou. Eu peguei sem olhar, porque o corpo sabia antes do nome. É ele.

Amore, precisei estender. Vou dormir na cidade vizinha... Talvez mais dois dias, mas resolvo rápido e volto direto. Te amo. Me espera?

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