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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 49

Valentina

Faz uma semana que ele voltou.

Uma semana e eu ainda não matei a saudade "do jeito certo", como Teresa diz, com aquela cara de quem entende mais de coração do que qualquer livro grosso da biblioteca. Ele chegou feito promessa cumprida, e mesmo assim, ainda tem um resto de deserto dentro de mim que pede água como se não soubesse que a fonte dorme a dois travesseiros de distância.

Acordei antes de o sol tomar gosto. O quarto estava na meia-luz que eu amo: cortina filtrando a manhã, silêncio de fonte no jardim, o cheiro dele enraizado no lençol. Dante dormia de lado, virado para mim, um braço acima da cabeça, a respiração funda, a barba desalinhada mostrando que meu homem descansou pouco, mas dormiu onde confia. Eu poderia passar o dia inteiro só olhando a obra-prima que é meu Don Vitale.

Primeiro, eu admirei. Depois, minhas mãos ganharam vida própria.

Desenhei com a ponta do dedo o arco da sobrancelha, a linha do nariz, a curva da boca que manda no destino das minhas razões. Passei devagar pela barba, sentindo os arranhões bons nos meus dedos, o tipo de sensação que faz cócegas no coração. Ele não acordou.

Meu dedo desceu para a tatuagem no peito, aquela com preto profundo que contrasta com a pele. Contornei cada traço como quem lê uma oração que já sei de cor. O peito subiu. Desceu. O nome dele pulsava por baixo, como se cada batida dissesse "aqui".

Desci mais um pouco, só para provocar. Era uma maldade leve, maldade de quem ama. É também uma oração. Quando a ponta dos meus dedos encontrou o fim do desenho, Dante suspirou e, num movimento rápido, me virou para baixo com um riso rouco que tem gosto de madrugada boa.

- DON VITALE! - eu gritei.

- Você acordou a fera... - ele murmurou, prendendo meu pulso acima da cabeça com suavidade de quem segura cristal. Os olhos cinzas brilhando. - Agora se vira em domar.

Eu ri, presa e livre ao mesmo tempo.

- Eu te domo com prazer - falei, subindo o queixo, deixando a voz fazer o trabalho que a minha coragem ensaiou a noite inteira.

- Tem que ser com muito prazer mesmo, signorina minha - ele brincou, com a boca colada em mim, a respiração viciando a minha.

- Então se prepara, meu Don. - respondi, e o beijo chegou antes do fim da frase.

Começou lento, firme, como quem acerta o relógio do corpo. Ele variava o compasso, ensinava, provocava, perguntava. Meu corpo respondia com fluência de quem reconhecia o idioma. As mãos dele passeavam pelo meu rosto, desciam pelo pescoço, achavam os lugares onde meu pulso falava alto. Eu ri pequeno, gemi mínimo, mordi um canto. Ele mordeu de volta, sem pressa.

- Valentina... - a voz dele veio baixa, avisando e pedindo, um "posso?" que eu sempre ouço mesmo quando ele não diz.

- Pode - devolvi, sem titubear. - É seu.

O sol decidiu nascer mais um pouco. A cortina se moveu. Ele se inclinou; o beijo migrou. O mapa já era conhecido: a lateral do pescoço onde eu esqueço meu nome, a clavícula onde a pele arrepiava por inteiro, o caminho que me fazia perder a conta das horas. Eu fechei os olhos e abri o peito, literalmente e no sentido figurado.

O lençol escorregou, cúmplice. A cabeça afundou no travesseiro. Quando pensei em dizer "mais", ele já sabia. A mão dele segurou minha cintura, me posicionou, e o mundo afinou, virou foco, virou um só lugar.

- Olha pra mim - ele pediu, firme, e eu obedeci. Sempre obedeço quando é ele que manda com cuidado.

Eu olhei. E nesse olhar cabia tudo: o que a gente foi, o que a gente não sabia ser, o que a gente está prometendo agora sem precisar de palavras grandes. O ritmo cresceu do nosso corpo, não do relógio. O prazer veio como onda que eu reconheço pelo barulho antes de vê-la.

Eu ri, chorei um pouquinho sem chorar, sussurrei o nome dele como reza breve e então eu cheguei. Ele segurou meu rosto com as duas mãos, me guardou enquanto eu me encontrava. Depois, sem pressa, ele chegou também, um suspiro longo, um abraço ainda mais forte, um "minha" que me dá sobrenome.

Ficamos quietos, mas não era silêncio; era celebração em voz baixa. As mãos dele viajavam pelo meu cabelo, pelos meus ombros, desciam em carinho que mais parecia assinatura. Eu acariciei o maxilar, a barba, guardei o rosto entre os dedos porque sou mulher de guardar, não de emprestar.

- Bom dia - sussurrei, já com o sorriso de quem trapaceou o destino.

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