Dante
No quarto, a claridade é a certa: a tarde já vestiu sombras longas, as cortinas seguram o mundo do lado de fora. Fechei a porta. Encostei as costas. Respirei. Ela ainda me abraçava com a pressa boa de quem decidiu o final do dia.
- Coloca os pés no chão - pedi, baixinho.
- E se eu não quiser? - ela provocou, rindo.
- Eu te dou motivo para querer. - respondi, e a coloquei no chão.
Valentina ficou diante de mim com um brilho nos olhos, o mesmo brilho de quem já atravessou o deserto e encontrou água. Minha mão encontrou o rosto dela como quem reencontra a casa: o polegar percorreu a maçã do rosto, desceu até o lábio; ela mordiscou, insolente e doce.
A puxei para mim e a beijei de novo, mas dessa vez o beijo desceu. O caminho da minha boca era um mapa que a pele dela me ensinou, o pescoço, onde o pulso b**e apressado; o ombro, onde a respiração encontra refúgio; a curva que separa o fôlego da rendição. A cada toque, o corpo dela respondia como instrumento que reconhecia o próprio maestro.
Minhas mãos desceram, desenhando o caminho da cintura até os quadris, e ela arqueou sob o toque como se o próprio corpo pedisse mais. A voz dela, rouca e rendida, escapou entre um suspiro e outro:
- Quero você, Dante... agora.
O pedido dela acendeu algo que não era fogo, era fé.
A peguei pela cintura e caminhei com ela até a cama. A deitei e me inclinei sobre ela, os olhos dela fixos nos meus. Segurei sua cintura, percorri com as mãos o contorno do corpo que já me conhece de cor e a levei a um ponto onde o tempo parou. Valentina fechou os olhos.
- Olha para mim. - pedi, e ela obedeceu.
Beijei o pescoço, o ponto onde o pulso dela acelera, o lugar onde a coragem e o medo se encontram. Segui o caminho com a boca, descendo devagar, sentindo o arrepio percorrer a pele dela como resposta. Cada toque era uma confissão muda. Cada gemido, um perdão.
As roupas sumiram que nem mesmo elas viram como. Continuei meu caminho, e quando a minha boca encontrou o centro do seu desejo, ela soltou um som que nunca mais vou esquecer, metade espanto, metade rendição. Segurei firme suas coxas e deixei o tempo parar.
O corpo dela reagia em ondas, e eu me perdi em cada uma, provando o que era só meu. Valentina tremia, o peito subia e descia num compasso que misturava prazer e incredulidade.
- Dante... - meu nome saiu em fiapos de ar.
- Shh... só sente. - murmurei contra a pele.
Ela segurou meu cabelo, primeiro hesitante, depois com força, como se quisesse me prender ali para sempre. O som que escapava dela era o som mais bonito que um homem podia ouvir. E quando o corpo dela se desfez em espasmo de prazer, eu soube que aquele era o ponto exato entre o céu e o inferno, e que eu escolheria morrer ali se precisasse.
Quando ela voltou a respirar e abriu os olhos, o olhar dela me encontrou. Havia algo novo ali, um brilho ousado, o mesmo que me fez perder o chão no primeiro dia em que a vi.
Ela se ergueu um pouco, me puxou pelo rosto, e com o tom mais doce e perigoso que já ouvi, disse:
- Agora é minha vez.
- Você não precisa, amor. - tentei dizer, porque cuidar dela é instinto.
- Eu quero. - ela respondeu, sem hesitar. - Quero te sentir... quero te provar.
A forma como ela me olhou era puro desafio envolto em carinho. Eu deitei e ela começou a tirar minha camisa, depois a minha calça. Ela se aproximou devagar, explorando com os dedos a pele do meu peito, o contorno do abdômen, o limite onde o autocontrole mora. Seus gestos, antes tímidos, agora tinham intenção.
Quando me tomou entre as mãos, o ar me escapou. E quando a boca dela se aproximou, o resto do mundo desapareceu. O primeiro toque foi suave, tateante. O segundo, mais firme. Não havia técnica, havia verdade. E nada é mais perfeito que o toque de quem ama aprendendo o ritmo do outro.
E ela aprendeu o ritmo sozinha, me olhando, escutando o que meu corpo dizia sem palavras.
- Valentina... - eu disse em prece, porque o prazer veio rápido demais.
Segurei o rosto dela com as mãos, tentando me conter, mas Valentina tinha esse dom: transformar controle em rendição. Quando percebi que não aguentaria mais, toquei o queixo dela e pedi, entre dentes:
- Vem pra mim.
Puxei-a de volta, o corpo dela sobre o meu, e a deitei na cama outra vez. O cabelo caía em ondas sobre o travesseiro, e o olhar dela, aquele olhar que me desarma, me puxou de volta para a perdição.
Beijei-a com fome e ternura, os dois juntos. Entrei nela devagar, como quem volta para casa depois de uma guerra. O corpo dela me recebeu inteiro, quente e entregue. Apertei sua mão, ela me puxou pela nuca, e o ritmo nasceu do toque, ora calmo, ora urgente.
Quando levantei uma das pernas dela e apoiei sobre meu ombro, ela arqueou o corpo e soltou um som que fez meu sangue ferver. O movimento ficou mais intenso, os corpos colados, o prazer crescendo entre nós como uma promessa antiga cumprida tarde demais.
- Olha pra mim. - pedi de novo, rouco. - Quero ver o que é meu.
Ela olhou.

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