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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 39

Valentina

- Achei que seria na sua cama. - falei baixo. Não era briga; era alguém pedindo um mapa em terra conhecida.

Dante tentou um sorriso. Daqueles que não chegam no olho porque a cabeça, antes, tenta montar um quebra-cabeça de desculpas.

- Sua cama também é minha. - respondeu rápido demais. E tentou me beijar, como quem troca assunto numa reunião difícil.

Eu virei o rosto, mansamente. Ele parou. Senti o corpo dele levantar a guarda sem brigar. Era isso que eu queria: a conversa no lugar certo, não a fuga para o lugar fácil.

- O que houve? - perguntou. Sem a couraça, sem a pose. Homem. Só homem.

- Ainda não sou merecedora de entrar no seu quarto? - a pergunta saiu antes que eu pudesse adocicar. Não havia veneno; havia mágoa. E mágoa, às vezes, não sabe passar batom antes de falar.

O silêncio que veio não foi longo, foi fundo. Dante me desceu do colo com cuidado que me fez ter raiva de amar. Eu fiquei de pé, o vestido respirando por mim. Ele deu um passo atrás, abriu espaço para uma tentativa. Eu vi nos olhos dele a história se montando: uma reforma, uma obra, uma superstição antiga, uma promessa de família, uma noite que não. Qualquer coisa que servisse de colchão para o impacto. O problema é que a mentira, quando nasce na boca de quem eu amo, tem o som de vidro arranhando o prato.

- O meu quarto... - ele começou, e a frase perdeu o fôlego sozinha.

A lágrima escorreu sem pedir licença. Eu tentei secá-la com orgulho, mas o orgulho estava do meu lado dessa vez: e a deixou cair. Não fiz cena. Só deixei doer onde doía. Ele percebeu, claro que percebeu. O olhar dele fez uma curva de dor e voltou para mim inteiro, como se me pedisse "confia no que vem agora".

Dante encostou a testa na minha, e o gesto não foi desculpa; foi reencontro. A respiração dele bateu no meu lábio superior, morna, triste.

- Desculpa, amor. - a voz dele saiu no tom que eu já vi acalmar homem armado. - Não queria te fazer chorar.

Eu fechei os olhos, e ele continuou, sem me dar tempo de construir trincheira.

- Você não precisa de um quarto. - disse, muito calmo. - O que eu te dei, o que eu te dou, é maior do que um móvel, maior do que um teto. - Pegou a minha mão, devagar, sempre devagar quando é sério, e levou até o próprio peito. - Você tem isso aqui. - Ele segurou minha mão contra o coração dele até eu sentir cada batida. - E se existe alguém nesta casa que não merece alguma coisa, esse alguém sou eu.

Eu abri os olhos por instinto, como quem quer testemunha para a própria fé. Ele segurou meu olhar como quem segura anel de família.

- Eu, Dante Vitale, Don para o mundo, homem para você... - ele respirou fundo, os dedos ainda sobre a minha mão no peito - ...eu não mereço a mulher linda, destemida, teimosa... - o riso escapou de mim, mesmo chorando; claro que escapou, porque ele me conhece - ...maravilhosa que me entregou o que tem de melhor, sem cálculo e sem garantia. Eu não sou digno da Valentina Rojas. - e aí ele fez uma pausa que me apertou a garganta - Mas eu sou teimoso demais para aceitar isso calado. Então eu vou ter que me provar. A você. Dia após dia, ano após ano, por tantos amanhãs quantos a vida permitir, até eu me tornar merecedor de todo o seu amor.

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