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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 38

Valentina

Eu ainda estava no colo dele quando as palavras saíram, firmes como sentença e quentes como promessa:

- E você, Don Vitale, dentro de mim.

Dante travou o maxilar, os olhos ficaram de um cinza quase negro, aquele tom que eu já aprendi que é desejo com urgência e cuidado, ambos brigando pelo mesmo espaço. Ele não discutiu, não perguntou, não dispersou. Simplesmente me ergueu, mãos sob minhas coxas, e se levantou comigo no colo como se eu pesasse metade da decisão que eu acabara de tomar.

- Valentina... - a minha boca ainda estava perto demais da dele para que "Valentina" soasse só como nome. Soou como oração.

Ele saiu do jardim sem me colocar no chão, o braço tentando ser mundo e berço ao mesmo tempo. As velas no caminho desenhavam nossas sombras numa dança que nem a música planejou. Eu agarrei o pescoço dele, sentindo o calor na nuca, e decidi contribuir com o caos: provoquei de propósito, deixei as pernas escorregarem pela cintura, abraçando-o com elas, e o vestido subiu, devagar, insolente, revelando pele como quem revela pista de tesouro.

Quando o tecido cedeu e a liga apareceu, creme sobre minha coxa, Dante baixou os olhos um segundo. O riso veio junto com o palavrão, e eu mordi o lábio para não gargalhar alto.

- A sua diaba... - ele murmurou, mordendo a própria vontade. - Planejou isso o tempo todo.

- Desde a primeira colher de burrata. - confessei, inocente como pecado bem ensaiado.

Ele me beijou de novo, rindo contra a minha boca, e a risada dele me fez sentir que a casa inteira tinha sumido. Quase tropeçamos num tapete que não era culpado de nada; ele corrigiu o passo no reflexo de quem já correu atrás do próprio destino com a mesma pressa.

O corredor nos recebeu sem dar um "boa noite". Dante parou por um instante, encostou minhas costas na parede, e o corpo dele veio junto, pesado de intenção, leve de certeza. A mão direita subiu do meu joelho por dentro do vestido com a naturalidade de quem estudou este mapa a vida toda; a esquerda manteve minha cintura no eixo, como se dissesse "você cai só se eu cair".

- Dante... - eu avisei, mas era mentira que eu queria mesmo avisar. - Alguém pode nos ver.

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