Entrar Via

Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 35

Valentina

Eu subi com a missão de esconder o vestido vermelho no closet como quem esconde aliado em guerra. Aproveitei para tomar um banho demorado, daqueles que lavam emoção, não só pele. Passei um creme que tem cheiro de fruta cara, deixei o cabelo secar solto, a franja caindo do jeito que Dante gosta para arrumar com os dedos.

Quando saí do banheiro, o quarto estava com aquele silêncio de casa grande que aprendeu a cochichar. Olhei pela janela: o jardim de inverno já tinha um brilho diferente. Elisa é boa nisso, faz luz parecer música. Teresa entrou com um embrulho.

- Para você. - disse, como quem entrega talismã.

Abri. Era uma liga fina, rendada, creme. Olhei para ela com cara de "quem te deu essas ideias".

- Eu sou velha, não morta. - Teresa riu, cúmplice. - Vai que ajuda a derrubar a tal barreira invisível.

- Se eu for uma bola de demolição com isso, você assume a autoria. - avisei, maldosa.

- Assumo, mas não conto. - ela piscou e saiu, leve, como quem não deixou nada além de sorte no quarto.

O relógio passou das sete. Eu desci escondida pela escada de serviço, ironia voluntária de quem saiu por ela outro dia. No lavabo do térreo, luz perfeita. Abri a caixa do vestido. Toquei o tecido um segundo antes de vesti-lo, para lembrar que eu escolho, não sou escolhida por ele. Vesti devagar. O corpo reconheceu a água do rio. A fenda me desenhou a perna que eu quase tinha esquecido. Ajustei o decote para caber o olhar dele e o meu.

- Sem echarpe, porque do dono... nada se esconde.

A liga foi para a coxa com a formalidade das coisas íntimas que viram rito. Um batom sem exagero, vermelho já está no pano, a boca não precisa competir, um delineado que diz "estou acordada", e só.

Olhei no espelho. Não era o shopping. Era a minha casa, o meu jardim, o meu homem. Eu sorri para mim mesma como quem dá a última bênção antes de ir.

Elisa apareceu na porta do lavabo como quem não ousa bater em igreja.

- Pronta? - sussurrou.

- Pronta. - respondi, e meu coração fez o barulho certo.

- Mesa posta. - ela fez relatório de um general com alegria de menina. - Burrata brilhando, risoto na espera, linguado descansando, velas acesas. A trilha tá... - ela imitou violino, ridícula e fofa ao mesmo tempo. - Teresa mandou avisar que o Mario saiu pela lateral com dois homens. Reunião do Don acaba em cinco.

- A porta do jardim? - perguntei, conferindo mentalmente o mapa.

- Entreaberta. - Elisa sorriu. - Você entra por ali sem ninguém ver. E tiro o salto no corredor para ninguém te ouvir andando. - Pegou minha mão. - Vai ficar lindo, Valentina.

- Vai ficar nós. - corrigi, porque "lindo" é pouco.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Vendida Ao Don Da Máfia