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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 32

Dante

E claro que além de me testar, ela não perdeu a chance de cavar a própria cova. Aurora deu um passo, querendo recuperar a cena...

- Dante, você está exagerando. - o riso dela busca cumplicidade e encontra aço. - Sabe como é segurança de shopping... e - inclinou o corpo para frente - não precisa ficar armado, hm? - o olhar dela vai de propósito para a minha cintura, como se a intimidade fosse moeda antiga entre nós. - Podemos conversar... depois. Meu pai ficaria feliz em...

- Mande lembranças ao seu pai. - disse tão baixo que quase virou segredo. - Diga que a minha resposta continua a mesma. E diga mais: que "depois" não existe quando a sua elegância inclui mandar homem bater em mulher. - Dei meio passo, o suficiente para ela sentir de perto o tamanho do erro. - Aurora, você vive num mundo em que todo mundo te disse "sim" tempo demais. Hoje, "não", aprenda. Conseguiu? Vou repetir para garantir que aprendeu: "não".

Valentina arqueou a sobrancelha, satisfeita. E então disse, com o deboche escolhendo o momento como maestro com b****a:

- Aurora, querida. - o veneno dela veio envolto em açúcar. - "Não combina com você", lembra? - ela colocou a mão em meu peito com posse. - E aqui eu não sou arrivista, sou territorialista. - Valentina concluiu.

Sofia soltou um "ai" risonho e tapou a boca com a mão, envergonhada da própria alegria. Gosto dessa mulher. Tem decência com coragem e humor, combinação rara. Mario pareceu também gostar.

- Senhor... - o gerente tenta se recompor, estendendo uma bandeja mental. - Eu... peço desculpas em nome da casa. O funcionário está suspenso, a loja arcará com quaisquer custos e...

- E vai reconhecer quem fez a coisa certa enquanto o circo pegava fogo. - completei, olhando para Sofia. - Seu nome é Sofia, certo?

- Sim, senhor. - a voz dela balançou, mas não caiu.

- Ela me deu o melhor atendimento que tive em toda minha vida, não se importou com minha aparência, nem mesmo perguntou meu sobrenome. Me defendeu, e ajudou como pode. - Minha mulher sussurrou para que somente eu ouvisse.

- A senhorita Rojas me disse que você a acolheu, a ajudou a escolher, protegeu quando foi preciso. - falei alto o suficiente para todos ouvirem. - Receba isto como mínimo. - tirei a carteira, peguei uma boa quantia e a entreguei. - E bônus dobrado no salário dela este mês, pago pela loja. - olhei para o gerente. - Junto com um pedido formal de desculpas por escrito pela agressão que ela testemunhou aqui dentro.

- Sim, Don. - o gerente não sabia se agradecia, se chorava, se pedia emprego. No final, escolheu calar e assentir.

- Mario. - voltei ao meu braço direito. - Você vai com a senhorita Sofia, pega tudo que a minha mulher experimentou e gostou, roupas, sapatos, bolsas e passa o cartão. - apontei o dedo para o vestido vermelho. - Incluindo o que ela está usando. Esse não volta para a arara.

- Sim, senhor. - Mario já estava com o celular em uma mão, o meu cartão preto na outra. - Lista, Sofia? - ele disse já esperando.

- Eu... claro... - Sofia tentou não ruborizar e fracassou com graça. - Calças de alfaiataria, duas; blusas de seda, três; blazer de linho; scarpins 37; mules 37; a bolsa pequena de corrente... e... - olhou para Valentina, pedindo permissão muda.

- E mais aquele que eu disse que é "eu, amanhã". - Valentina piscou para ela. - Vamos precisar de muitos amanhãs.

- Anote também um echarpe. - Eu disse ao Mario. - Para cobrir o que eu não vou permitir que o mundo veja.

- Don Vitale... - Valentina disse com um sorriso. - Além de querer me manter em gaiola, daqui a pouco vai exigir que eu use burca.

- Não é má ideia. - retruquei, no mesmo tom que usei no café mais cedo, e nos olhos dela vi a centelha de "fala assim mais uma vez que eu te beijo no meio da loja".

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