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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 27

Dante

Declarar que amo Valentina foi a coisa mais certa e, ao mesmo tempo, mais perigosa que fiz em anos. Certo, porque a verdade quando dita no tempo exato assenta o mundo; perigoso, porque eu sei o que o amor faz com homens como eu: abre brechas na couraça, tira a mira do inimigo e a coloca no que mais importa. E o que mais importa, agora, dorme ao meu lado.

A madrugada cedeu lugar a um início de manhã tímido, a luz filtrando pelas persianas e desenhando listras no lençol. Valentina respirava num compasso que meu corpo aprendeu ontem: longo, manso, sem febre. A mão esquerda dela repousava sobre meu peito como selo e senha. Dormia tranquila, como quem tem licença para não se preocupar porque está nos meus braços. Não há prêmio melhor para um homem que fez a vida inteira do controle seu quarto idioma do que isso: ver a mulher que ama descansar sem vigiar o teto.

Lembrei da doutora e de sua frase devolvida ao anoitecer: "O organismo eliminou toda a toxina, sem sequelas." O peso que saiu de mim não foi leve; foi estrutural. Beijei o topo da cabeça dela devagar, lembrando o medo que senti de perdê-la e o alívio absoluto de saber que passou. Minha mulher está bem. Minha mulher está saudável. Minha mulher.

Estiquei o braço até a mesa de cabeceira, peguei o celular, a tela acendeu como um olho obediente. Uma mensagem do Mario que está piscando desde antes do amanhecer, e só agora decidi ler, "Temos novidades." Sorri de canto, um riso curto que não se dá ao luxo de barulho. Parece que Bianca falou.

Devolvi o telefone ao lugar. A cama rangeu o mínimo, mas o suficiente para Valentina mexer a cabeça no travesseiro. Ela se aproximou mais, como se a gravidade que nos rege fosse a dos dois. O perfume limpo dela brigando com o cheiro de jasmim que entra da varanda. Mas ele vence fácil.

- Bom dia, meu amor. - falei quase no osso, porque ela ainda está entre os mundos.

- Hm... - a resposta é um som macio que não aceita tradução. Os dedos dela mudam de lugar, passeiam um pouco acima do meu coração. - Ainda parece sonho. - ela disse e eu sorri.

- É real. - garanti, pousando os lábios onde começa a raiz de seus cabelos. - E está tudo bem.

- A doutora... - os olhos se abriram devagar, castanhos como uma manhã que acende. - Ontem ela disse...?

- Disse. - confirmei, dando um beijo atrás da orelha. - Acabou. Sem sequela. Você está bem.

Ela sorriu, pequeno, agradecido, e virou o rosto para me encarar de frente. O cabelo caiu por um ombro como cortina, passei os dedos. O sorriso dela cresceu, virando provocação.

- Então posso me comportar mal?

- Pode. - concedi, e a mão que estava em seu cabelo desceu pela curva da nuca, sabendo onde parar, onde insistir. - E eu vou aplaudir. - sussurrei.

Valentina riu, aquele riso que benze e instiga, e aproximou a boca da minha. O selinho que veio primeiro foi inocente só para enganar o relógio. Depois abri, e ela respondeu. E o beijo cresceu como coisa viva, que pede o chão, mas entrega o céu. O coração dela acelerou no meu peito; a minha mão encontrando o caminho da cintura e ficando. Eu poderia conduzir essa dança com o olho fechado, e conduzo quase sempre, mas hoje, por um prazer que escolhi, eu cedi meio passo.

Ela percebeu. Os dedos, que antes brincavam no meu peito, descem curiosos, exploratórios, e param onde meu autocontrole costuma residir. Valentina não pede permissão com palavras; pergunta com o toque; eu respondo com o corpo: "sim". Meu ar ficou mais pesado; a manhã, mais densa. Beijei a boca dela em agradecimento e em desafio.

- Me diz se eu atravessar alguma fronteira. - ela sussurrou, o humor doce pronto para o crime.

- Só atravesse. - devolvi, rouco, e segui meu mapa: pescoço, ombro, clavícula. O corpo dela respondeu sob a palma da minha mão como instrumento afinado. Eu a conheço o suficiente para saber quando intensificar, quando esperar, quando falar.

Valentina me tocou como quem aprendeu a ler uma língua difícil e passou a gostar da gramática. Ora firme, ora devagar, ora só a promessa do toque sem o toque. Eu articulei um "meu Deus" sem som e ri por dentro de mim, da precisão deliciosa com que ela me leva ao limite e me devolve um segundo antes do fim. Minha mão voltou a explorar o caminho que sei que a faz perder o Norte; a mão dela decidindo onde, quando e com quanto.

- Dante... - ela chamou meu nome como se fosse senha e pedido.

- Fala, querida. - mordi o próprio controle, mas não vou deixar que o amor vire pressa.

- Eu quero você... inteiro. - o olhar dela brilha, sem pudor, sem culpa.

- E vai ter. - prometi, mordendo leve a curva do queixo, a outra mão deslizando por debaixo do tecido fino da minha camisa, que agora se tornou dela, pois não quer dormir sem, desenhando atenção no ventre, na lateral da coxa, no ponto onde todos os caminhos se juntam sem atravessar a última porta. - Hoje... você me mostra onde, amor. Onde está o que você quer inteiro. - falei num tom rouco.

Ela me mostrou. E eu obedeci.

O quarto encolheu até virar só o som da nossa respiração e a madeira que protestava sob a cama. O mundo de fora recuou um passo e outro; a manhã pareceu aprender o nosso ritmo. Eu mantive o meu rosto perto do dela, porque olhos que se olham quando o prazer chega dizem verdades que nenhuma palavra alcança. O corpo dela subiu, desceu, tensionou; eu ajustei a mão, o pulso, o tempo. Valentina me beijava para agradecer e para me quebrar. A confiança dela no meu comando me faz um homem melhor do que o Don já foi.

O corpo dela começa a vibrar sob o meu toque, e cada suspiro se transforma em um novo compasso que dita o meu movimento. Ela segura meu pulso, não para impedir, mas para guiar. O toque dela é quente, firme, e a pele, a maldita pele, me reconhece como se sempre tivesse sido minha.

O ar pesa. A respiração vira aviso.

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