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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 26

Dante

Eu me arrependi no exato segundo em que os olhos dela acharam os meus. Antes da frase dura, antes da porta aberta como sentença, antes de o Don vestir a couraça inteira. Bastou um olhar. Reconheci ali a mulher que segurou minha mão em febre, que me deu um "fica" com a boca quente e uma oração quebrada; e eu, idiota treinado, respondi com frieza.

A imagem dela parada ao lado da porta, digna, me dizendo que eu não precisava ir ao quarto e nem dividir a cama... essa imagem já é cicatriz. O arrependimento é simples quando se ama: o corpo sabe antes da vaidade. Eu soube quando perdi o cheiro dela por um momento e o jardim o roubou de mim.

Agora, o presente: minha testa na dela, o limoeiro respirando junto, a confissão saindo inteira da minha boca.

- Eu disse que eu te amo.

Valentina piscou como quem volta da borda de algum abismo. O susto não foi medo; foi incredulidade. Eu não dei espaço para a dúvida criar morada. Segurei o rosto dela com as duas mãos, palma, dedo, voto, e a beijei.

Não foi beijo de desculpa; foi beijo de destino. A boca dela abriu como janela depois da chuva, quente, esperta, doce e insolente. Eu entrei com a calma de quem conhece o caminho e a fome de quem passou dias no escuro. O gosto de limão e sal da pele, a língua dela respondendo na medida exata do meu comando, a respiração que encontrou o mesmo tempo... Casa. A palavra que eu tenho medo de dizer no alto. Casa.

Ela me segurou pela nuca como quem prende um cavalo bravo e, ironicamente, me amansou. Nós dois sabemos fazer guerra. Ali, escolhemos paz armada: desejo até o osso, sem pressa nenhuma.

Eu a guiei dois passos, as costas dela encostaram no tronco áspero do limoeiro e eu senti o corpo inteiro dela se alinhando ao meu. Beijei-lhe a boca, o contorno da bochecha, a curva do queixo, a boca outra vez. Minha mão desceu pela linha da coluna, pegou a cintura, reconheceu o vestido leve que eu não a vi escolher. Fiz o que não fiz no escritório: olhei. E gostei de tudo.

- Vem comigo. - sussurrei.

Levei-a até o banco de madeira que vive debaixo da sombra. Sentei, trouxe-a para o meu colo, atravessada sobre mim, uma perna de cada lado, vestido arrumado por minhas mãos sem pudor. Ela encaixou os joelhos no banco, os dedos nos meus ombros, o olhar me perguntando e me respondendo ao mesmo tempo.

- Dante... - a voz veio em sussurro e munição.

- Eu sei. - prometi, roçando a boca na dela. - Eu cuido.

Nossos beijos ficaram mais longos, mais quentes. O mundo se reduziu ao barulho discreto do chafariz e à respiração que se confundia com o vento. Meu polegar desenhou a linha da clavícula, a curva do pescoço, o decote que pedia respeito e recebeu devoção. Nada de pressa. Eu não vou estragar o que já é sagrado.

Afastei o cabelo do ombro dela e beijei ali, depois um pouco abaixo, até sentir seu suspiro tremer por dentro. Valentina agarrou minha camisa, puxou-me mais, como quem diz com as mãos o que a boca não quer interromper. Eu a ouvi sem palavras. Minha mão subiu pelo dorso até a nuca, prendeu de leve; a outra desceu, firme, pela cintura, pela lateral da coxa, sentindo o músculo acordar sob meu toque.

- Me diz se é demais. - pedi, não por dúvida, mas por rito.

- Não é. - ela devolveu, a cara da coragem. - É... certo. E é o que eu mais quero.

Sorri sem mostrar dentes e desci a mão por dentro do tecido leve, a barra cedendo sem drama. Pele. A temperatura exata de um lugar que me pertence sem posse. Tracei caminhos curtos, lentos, ouvindo com os dedos o que os olhos não veem: a respiração subindo, o ventre encolhendo sob a ponta dos meus, o pequeno arco da coluna pedindo mais.

Beijei a boca dela no mesmo compasso em que meus dedos aprenderam a música do seu corpo. Não houve pressa. Eu sabia cada "aqui" pela maneira como ela apertava meus ombros, pelo som que ela tentava calar e eu pedia que deixasse nascer. O jardim inteiro prestou juramento e virou cúmplice.

- Querida... - chamei, baixo, quando senti a tensão boa chegar. - Olha pra mim.

Ela obedeceu pela primeira vez naquele dia com gosto. Olhou-me como quem brinda. Mantive o olhar, mantive o ritmo, mudei o ângulo, dei a ela exatamente o que o corpo pediu sem que a boca precisasse. Valentina mordeu o lábio inferior, a cabeça caiu um pouco para trás, eu beijei o queixo, voltei à boca e disse "vem" sem dizer.

Ela veio.

Veio inteira, quebrando no meu colo com um suspiro que eu vou guardar como relíquia. Os músculos tremeram contra minha mão, o vestido virou detalhe, o meu nome saiu dela como reza e pecado. Eu a segurei pela cintura para que o mundo não rodasse depressa demais, continuei guiando um pouco mais.

- Desse jeito, isso, isso... - sussurrei contra os lábios dela, até sentir que a onda passou e a água ficou mansa.

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