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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 19

Valentina

- Eu não me contenho. - ele corrigiu, insolente. - Eu comando.

Dante disse e então ele deitou o peso sobre mim, devagar, como quem me mostra a geometria do próprio corpo sem esmagar. Os antebraços dele se apoiaram dos dois lados da minha cabeça, as mãos me moldando o rosto, o pescoço, os ombros com uma delicadeza que insultava sua fama. O joelho encaixou entre minhas coxas, abrindo só o suficiente para o aviso, não a invasão.

- Lição um. - sussurrou, perto demais. - Controle não é ausência. É escolha.

A pele do meu peito esquentou sob a dele; o coração resolveu tocar tambor. O cheiro de banho e de Dante me preencheu de um jeito que nenhum médico descreveria. Eu ergui o queixo, insolente e agradecida. Ele me olhava nos olhos enquanto me acariciava.

- Então Don Vitale sabe ser carinhoso? - deixei o veneno bom da ironia pingar.

- Só com quem merece. - ele devolveu, como quem assina cheque de valor alto sem olhar o saldo.

- E agora eu mereço? - arqueei a sobrancelha. - Porque até duas semanas atrás...

Não terminei. Ele levou a boca à minha e calou a pergunta com a resposta exata que perguntas ruins merecem... um beijo que não promete, cumpre. Havia qualquer coisa de novo ali, uma entrega que não pedia nada em troca. Não era sede, era casa.

Quando ele parou, encostou a testa na minha. O ar dos dois encontrou um meio termo.

- Merecia há duas semanas. - ele disse, baixo, como quem confessa um roubo. - E merece mais ainda agora. Eu é que fui tolo o bastante para fingir que não.

A palavra tolo na boca dele me acendeu em um lugar estranho, ternura, que eu não sabia que morava em mim. Eu ri, pequeno, porque às vezes o riso é a única ponte segura entre o precipício e a margem.

- "Fingir" é uma especialidade sua. - cutuquei. - Gestão, distância, gramática... quantos nomes você vai dar para medo?

Ele não se ofendeu. Pior, concordou com os olhos.

- O suficiente para mantê-la viva. - roçou a boca no canto da minha, um quase beijo. - E consciente.

- Consciente de quê?

- De que em breve você vai ser minha. - o jeito que ele pronunciou "minha" não foi posse oca; foi promessa com coluna. - Mas hoje eu não vim te tomar. - O olhar correu meu rosto devagar, como quem confere febre sem encostar. - Hoje eu vim ter certeza de que você está bem.

Eu poderia ter feito mil provocações. Escolhi a que ainda me protegia.

- "Em breve" não é uma data, Don Vitale. - alisei-lhe a barba com o dorso dos dedos, sentindo a aspereza que eu fingia detestar. - E você é péssimo com prazos quando tem a ver comigo.

- Sou ótimo. - ele sorriu, como um pecador contido. - Porque quando envolve você, eu só entrego com qualidade máxima.

- Arrogante. - sussurrei, divertindo-me com o risco.

- Realista. - respondeu, a mão descendo pelo meu pescoço num carinho que acendeu cada nervo e, no entanto, me devolveu calma. - E, por hoje, seu enfermeiro particular.

- Enfermeiro que beija paciente... - mordi o próprio sorriso. - Isso dá processo.

- Pode me processar com a boca quantas vezes quiser. - o olhar dele brilhou daquele jeito terrível que eu reconheço. Humor e pecado, cinquenta a cinquenta.

Eu ri e odiei gostar tanto de rir com ele.

- A doutora... o que mais ela disse? - perguntei, a coragem andando de mãos dadas com o medo.

Ele não me poupou, mas escolheu as pedras com cuidado.

- Disse que vai agilizar exames. Disse que você fica sob observação. Disse que não é para deixá-la sozinha. - Os olhos prenderam os meus, como uma âncora. - Eu já cumpri as três.

- E... mais?

- E que se a febre voltar, fazemos tudo de novo. - a mão dele subiu ao meu cabelo, prendeu uma mecha atrás da orelha. - Eu prefiro evitar o "de novo".

- Eu também. - Respirei fundo. Um sabor metálico aparecia ao mesmo tempo que sumia na boca, talvez lembrança, talvez susto. - Dante... - chamei enquanto ele ainda acariciava meu cabelo.

- Hm?

- Serei um peso?

Ele não riu. Também não disse "não". Ele me mediu, rubro de sinceridade.

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