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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 13

Valentina

— O que faz aqui?

A voz dele cortou como uma faca. Mantive a mão na maçaneta, sentindo o frio do metal na palma. Dante enchia o ambiente com o corpo e com a raiva. Os olhos cinzas estavam estreitos, perigosos.

— Aprendendo a diferença entre aviso e ordem. — respondi, firme.

— Nesta casa, são sinônimos. — Ele avançou um passo. Eu recuei o mesmo. — Quem autorizou você a vir para a ala oeste?

— A curiosidade. — dei de ombros. — E o fato de que seus "não" sempre escondem um "por quê" que você não responde.

— Eu não respondo porque não devo. — A voz veio grave, controlada, mas com uma faísca que eu reconhecia. A de quem estava se ferindo para não perder o controle. — Volte para seu quarto. Agora.

— Não. — respondi sem hesitar.

O maxilar dele travou. Um músculo saltou, denunciando o embate por trás da máscara.

— Você quer testar até onde vai minha paciência, Valentina?

— Não. Quero testar até onde vai minha liberdade.

— Aqui dentro, você não tem...

— Direitos, eu sei. — o cortei, lembrando da sentença dele no claustro. — Mas tenho olhos, ouvidos, e perguntas. "L." — falei o nome como se cuspisse uma semente — Quem é?

A lembrança passou no rosto dele como sombra de nuvem. Efêmera, porém real. Ele negou com um movimento curto.

— Esse assunto não é seu. — Ele apontou para trás de mim, fazendo sinal para a porta. — Vire-se e saia.

— Ou o quê? — ergui o queixo. — Vai me trancar? Vai mandar alguém me arrastar?

— Não me obrigue a te mostrar como são as consequências aqui. — O tom ficou mais baixo. E mais perigoso.

— Você já mostrou. — As palavras saíram antes de eu pensar. — Me comprou. Me impôs regras. Me quebrou o orgulho. E... — engoli em seco, odiei a honestidade que veio — me beijou como se eu fosse sua. Então decida, Don Vitale: sou coisa ou sou mulher?

Aconteceu primeiro no olhar... uma rachadura. Depois no corpo. Ele respirou fundo, como quem segura um incêndio no peito e não quer queimar o prédio inteiro.

— Volte. — repetiu, mais áspero.

— Não. — repeti, mais baixa. — Não até você me dizer por que essa casa cheira a jasmim e luto.

— Isso não te diz respeito, não me faça ter que ficar repetindo o seu lugar aqui.

Ele não precisava repetir, eu sabia qual era. Aqui não sou nada mais que uma barriga, não fui nada para Giovanni, e não sou nada para Dante. Senti o nó na garganta e decidi ir embora, eu não precisava de mais humilhação.

Mas ele viu... viu a mágoa no meu olhar e no instante em que me virei, não fui longe.

— Me solta, você me mandou sair e estou indo. — Ele não respondeu, só manteve os olhos nos meus e apertou um pouco mais meu braço. — Ai! - reclamei, pela dor que senti. — Você está me machucando.

Ele me puxou para ele com uma mão, e com a outra empurrou a porta, fechando-a com um baque que ecoou pelo corredor.

— Você definitivamente não entende a língua do perigo. — rosnou, me mantendo perto demais.

— Então me ensina. — cuspi, o encarando.

Por um instante, só havia os nossos olhos brigando na metade de um passo. E então o que sempre acontece quando brigamos perto demais... aconteceu, e o ar virou um campo minado.

— Maldição... - Ele sussurrou como quem confessa à parede. E antes de eu formular um "não ouse", pois sabia bem o que vinha a seguir.

A boca dele encontrou a minha.

Foi brutal no começo. Raiva, abismo, comando. Eu respondi com a mesma fome. Não porque não gostasse de perder, mas porque a vitória ali era outra. Arrancar dele o que ele passa a vida enterrando.

Os livros que eu segurava escorregaram do meu braço e despencaram no chão com um estalo seco. A partitura, que eu tinha escondido entre as páginas, voou como um pássaro atarantado e caiu aberta, quase sorrindo para o piso.

Eu ia dizer "cuidado". Mas não disse, porque a mão dele desceu para a minha cintura, me colou mais. A outra mão apertou a base das minhas costas e, num impulso seguro, desceu até a curva da minha bunda. O toque me arrancou um ar que não era suspiro nem susto, era reconhecimento.

— Dante... - reclamei e, ao mesmo tempo, pedi mais.

Ele me ergueu num gesto fluido. Minhas pernas foram por instinto para a cintura dele. Apertei com força, o corpo dele me aparou como se tivesse nascido para isso. Achei com as mãos a largura dos ombros, a maldita camisa preta que sempre deixa dois botões de pecado abertos. Ele atravessou a sala comigo no colo e se sentou no banco do piano, obrigando o instrumento a ranger seu ciúme antigo.

Ainda com as bocas grudadas, ele sussurrou contra a minha:

— Você tá me enlouquecendo, Valentina.

Sorri no beijo. Traguei a frase e devolvi, mordendo leve o lábio inferior dele:

— Bem-vindo ao clube, Don Vitale. Eu te odeio, você me irrita, me enlouquece.

Interrompi o beijo por um segundo. Encostei a testa na dele. Senti a respiração quente, o cheiro dele, o pequeno tremor que nem ele percebeu que deu.

— Mas eu não paro de te querer. — confessei, e doeu bonito.

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