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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 126

Dante

A luz que entrava pelos vitrais da catedral antiga pintava o chão de vermelho, azul e dourado. Eu estava de pé no altar, mas não me sentia um homem santo. Eu me sentia um lobo usando a pele de cordeiro, segurando meu filho nos braços, pedindo proteção a um Deus que provavelmente viraria o rosto para mim.

Mas quando olhei para o lado... Valentina estava lá. Ela usava um vestido creme, fluido, com um véu cobrindo parcialmente os cabelos soltos. Ela segurava Vittoria contra o peito com uma delicadeza que fazia meu coração doer. Ela não parecia apenas uma mãe. Ela parecia a própria redenção.

Ela sorriu para mim. Um sorriso pequeno, cúmplice, que dizia: "Nós conseguimos. Estamos aqui."

Olhei ao redor. A igreja estava cheia, mas não de fiéis comuns. Estava cheia de sangue do meu sangue. Primos distantes que vieram prestar homenagem, Capos de outras regiões, aliados. E, claro, meus soldados. Homens armados disfarçados em ternos caros, vigiando cada entrada, cada sombra, cada movimento suspeito.

Tudo estava seguro. Tudo estava perfeito. Meus olhos pousaram em Mario e Sofia. Eles estavam ao nosso lado. Mario, rígido em sua postura de Sottocapo, mas com os olhos brilhando de orgulho.

Sofia, radiante, segurando a vela batismal com a reverência de quem segura o futuro. Eu escolhi certo. Se um dia a bala encontrar o meu peito, se um dia a escuridão me levar, eu sei que Mario Bernardi seria a parede de escudo para os meus filhos. E sei que Sofia seria o colo que Valentina precisaria. Eles dariam a vida por essa família.

A cerimônia seguiu. A água benta tocou a testa de Nicolau. Ele reclamou, soltando um grito forte que ecoou pela nave, fazendo Valentina rir baixo.

- Guerreiro. - sussurrei para ele.

Depois foi a vez de Vittoria. Ela não chorou. Ela apenas abriu os olhos grandes e escuros, encarando o padre como se entendesse o ritual.

- Vittoria Vitale. - o padre anunciou. - Eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Senti um peso sair dos meus ombros. Eles estavam abençoados. Eles pertenciam a Deus agora, não apenas à Máfia. Quando a cerimônia acabou, as portas da igreja se abriram. O sol da manhã invadiu o ambiente, cegante, brilhante. O mundo parecia estar celebrando conosco.

Começamos a sair. Eu carregava Nico. Valentina vinha ao meu lado com Vittoria. Mario e Sofia logo atrás. Joseph e a equipe de segurança formaram o perímetro na escadaria.

- Foi lindo, Dante. - Valentina disse, descendo o primeiro degrau, ajeitando a manta da nossa filha. - Eles se comportaram tão bem.

- Bem? O Nico quase mordeu a mão do padre, sorte que ele não tem dentes. - brinquei, sentindo o sol no rosto. - Mas sim. Foi perfeito.

Chegamos à calçada. Os carros blindados estavam alinhados, esperando. Eu ia abrir a porta para ela. Eu ia dizer que a amava. Mas o destino não espera. O som não foi de um tiro. Foi de pneus cantando.

Três vans pretas surgiram da esquina em alta velocidade, cortando o trânsito, subindo na calçada, atropelando as flores da entrada.

- CONTATO! - Joseph gritou. - PROTEJAM O DON!

O mundo virou câmera lenta. As portas laterais das vans se abriram. Homens mascarados, armados com fuzis automáticos, saltaram. Eles não atiraram em mim. Eles atiraram na barreira.

O tiroteio começou ensurdecedor. Meus homens revidaram, mas fomos pegos no ponto cego, na transição da luz para a sombra.

- Valentina! - gritei, tentando alcançá-la. Mas ela estava a dois passos de distância. Um dos mercenários avançou diretamente para ela, ignorando as balas voando. Ele ia agarrá-la.

- NÃO! - Sofia gritou.

Vi quando ela se jogou na frente de Valentina no momento exato em que um disparo foi feito na direção da minha mulher. O impacto jogou Sofia para trás. O sangue manchou o vestido claro instantaneamente.

- SOFIA! - Mario urrou, um som de animal ferido. Ele largou a posição de tiro e se jogou sobre a esposa.

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