Sofia
Eu passei a vida inteira achando que felicidade era algo que acontecia com os outros. Eu via através de vitrines. Via nas famílias que passavam no parque, nos casais que andavam de mãos dadas. Para mim, a vida era sobrevivência. Era dormir com um olho aberto e o coração blindado.
Mas agora... Agora eu estava em um barco particular, cortando as águas azul-turquesa da Costa Amalfitana, com o vento bagunçando meu cabelo e um anel de diamantes pesando da melhor maneira possível no meu dedo.
Mario estava no leme. Ele tinha tirado o terno. Vestia uma camisa de linho branca, com os primeiros botões abertos, e bermuda. Óculos escuros cobriam os olhos que eu sabia que estavam monitorando tudo, mas a postura dele... A postura dele era relaxada.
Pela primeira vez em anos, o Sottocapo tinha ficado em Florença. Quem estava ali era o meu marido. Ele desligou o motor, deixando o barco flutuar no silêncio do mar.
- Chegamos. - ele anunciou, a voz grave sendo levada pela brisa.
Olhei para a costa. Não havia hotel. Não havia resort. Havia apenas uma villa antiga, pendurada no penhasco, isolada de tudo e de todos, cercada por limoeiros e mar.
- Mario... - suspirei, me apoiando na borda. - Onde estamos?
- Ravello. - ele respondeu, saindo do comando e vindo até mim. Ele me abraçou por trás, apoiando o queixo no meu ombro. - É uma propriedade privada. Sem hóspedes. Sem funcionários visíveis. Sem seguranças no seu pé - ele beijou meu pescoço. - Só nós dois.
Virei nos braços dele, passando as mãos pelo peito largo que agora era meu travesseiro oficial.
- Você planejou tudo isso sozinho? O homem de pedra também é agente de viagens?
Ele sorriu de canto. Aquele meio sorriso que faz meu joelho tremer.
- Eu sou um homem de estratégia, cuore mio. - "cuore mio" adorava quando ele me chamava assim... - E minha estratégia para essa semana é simples: fazer você esquecer que existe um mundo fora dessa cama.
Senti um arrepio percorrer minha espinha. A promessa na voz dele era clara.
- Acho que é uma excelente estratégia. - sussurrei.
- Sabia que você ia gostar. - ele me beijou e seguimos para o que ele havia preparado.
A noite caiu sobre Ravello como um manto de veludo. Jantamos no terraço, sob a luz de velas e das estrelas. A comida era divina, o vinho era caro, mas eu mal conseguia comer. A tensão entre nós era elétrica. Mario me observava. Não com o olhar de proteção que ele sempre teve, mas com um olhar de fome. De posse.
Cada vez que eu levava a taça à boca, os olhos dele acompanhavam o movimento da minha garganta. Quando a última vela estava pela metade, ele se levantou. Não disse nada. Apenas estendeu a mão para mim. Eu aceitei.
Ele me guiou para dentro da villa, para o quarto principal. As portas da varanda estavam abertas, deixando o cheiro do mar e dos limões entrar. A cama era imensa, com lençóis de linho branco. Mario parou no centro do quarto e soltou minha mão.
- Tira. - ele ordenou, a voz rouca, baixa.
Meu coração disparou. Não era um pedido. Levei as mãos ao zíper do meu vestido. O tecido deslizou pelo meu corpo e caiu no chão, me deixando apenas de lingerie. Renda preta. A preferida dele. Mario não se moveu. Ele ficou parado, me devorando com os olhos, como se estivesse memorizando cada curva, cada marca.
- Você é linda, Sofia. - ele murmurou, e a intensidade na voz dele fez meu ventre contrair. - Você é a coisa mais linda que eu já vi na minha vida miserável.
Ele tirou a camisa, jogando-a em qualquer lugar. Os músculos dele tensionaram quando ele veio até mim. Quando ele me tocou, não foi suave. Mario segurou minha cintura com força, me puxando contra o corpo dele. O choque da pele quente dele contra a minha me fez arfar.
- Eu esperei tanto por isso... - ele rosnou contra minha boca, antes de me beijar.
O beijo não foi doce. Foi uma reivindicação. A boca dele tomou a minha com uma urgência desesperada. Língua, dentes, fôlego. Ele me beijava como se quisesse respirar o meu ar, como se quisesse fundir nossas almas. Eu correspondi à altura. Entrelacei os dedos no cabelo dele, puxando-o para mais perto, arranhando a nuca dele.
- Mario... - gemi quando ele desceu os beijos para o meu pescoço, mordiscando a pele sensível logo abaixo da orelha.
- Shhh... - ele sussurrou, a mão descendo pelas minhas costas, apertando minha bunda com possessividade. - Não fala. Só sente.

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