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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 120

Dante

A batalha pela Vittoria tinha sido vencida na primeira hora. Assim que chegamos ao hospital, a equipe de neonatologia a levou. Tubos, incubadoras, luzes.

Doutora Chiara me garantiu, com olhos sérios mas calmos, que o coração dela estava respondendo. Que ela era pequena, mas tenaz. Eu respirei. Achei que o inferno tinha acabado. Achei que a cota de tragédia da noite tinha sido preenchida.

Voltei para o quarto onde Valentina estava sendo atendida. Ela estava deitada, ainda suja do parto, o rosto inchado, pálida demais. As enfermeiras limpavam o sangue, trocavam o soro. Caminhei até ela, sentindo o peso do cansaço esmagar meus ossos.

- Amore... - chamei, pegando a mão dela. Estava fria. Fria demais. Valentina abriu os olhos, mas eles não me encontraram. Eles vagavam pelo teto, perdidos.

- Dante... - ela sussurrou, a língua enrolada. - A luz... tá muito forte.

Franzi a testa. A luz estava baixa.

- A luz está apagada, Tina.

- Não... - ela gemeu, levanto a mão à cabeça. - Dói. Minha cabeça vai explodir. Tem... tem pontos pretos. Eu não tô te vendo direito.

O monitor cardíaco ao lado dela começou a bipar mais rápido. A pressão arterial no visor subiu. 16 por 10. 18 por 11.

- Enfermeira! - chamei, a voz subindo uma oitava. Uma mulher entrou rápido. Olhou o monitor.

- A pressão está subindo muito rápido. Chamem o obstetra de plantão! Agora! - ela disse para a outra que havia entrado logo atrás dela.

Voltei minha atenção para Valentina.

- Dante... - ela apertou minha mão com uma força descomunal, as unhas cravando na minha pele. - Eu não... eu não consigo respirar.

E então, aconteceu. O corpo dela arqueou na cama. Os olhos viraram para trás, mostrando apenas o branco. A boca se abriu num gemido mudo, e ela começou a tremer. Não era um tremor de frio. Era uma convulsão. Violenta. Brutal. O corpo dela batia contra o colchão como se estivesse sendo eletrocutado. Espuma começou a sair pelo canto da boca.

- VALENTINA! - Gritei, tentando segurá-la, tentando impedir que ela se machucasse. O quarto foi invadido. Médicos, enfermeiras, carrinhos de emergência.

- Eclâmpsia! - alguém gritou.

- Ela está convulsionando! Preparem o sulfato de magnésio! Diazepam na veia!

- Ela não está respirando! - outra voz avisou. - A saturação está caindo! Vamos ter que intubar!

O caos era ensurdecedor. O barulho da máquina apitando um alarme contínuo, as ordens gritadas, o som do corpo dela se debatendo. Um enfermeiro alto, de ombros largos, tentou me empurrar.

- Senhor, você precisa sair! Agora!

- Eu não vou sair! - rosnei, segurando a mão dela, que agora estava flácida enquanto o corpo ainda tremia.

- É um protocolo de emergência! - o enfermeiro agarrou meu braço com força para me arrastar. - Você está atrapalhando! Sai!

Eu ia quebrar o braço dele. Eu ia matar qualquer um que tentasse me tirar de perto dela. Mas não precisei. Um clique metálico cortou o barulho do caos. O enfermeiro congelou. O médico parou com o laringoscópio na mão.

Mario estava parado na porta. A arma em punho, apontada diretamente para a cabeça do enfermeiro que me segurava. A expressão de Mario era de pedra. Fria. Letal.

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