Dante
A batalha pela Vittoria tinha sido vencida na primeira hora. Assim que chegamos ao hospital, a equipe de neonatologia a levou. Tubos, incubadoras, luzes.
Doutora Chiara me garantiu, com olhos sérios mas calmos, que o coração dela estava respondendo. Que ela era pequena, mas tenaz. Eu respirei. Achei que o inferno tinha acabado. Achei que a cota de tragédia da noite tinha sido preenchida.
Voltei para o quarto onde Valentina estava sendo atendida. Ela estava deitada, ainda suja do parto, o rosto inchado, pálida demais. As enfermeiras limpavam o sangue, trocavam o soro. Caminhei até ela, sentindo o peso do cansaço esmagar meus ossos.
- Amore... - chamei, pegando a mão dela. Estava fria. Fria demais. Valentina abriu os olhos, mas eles não me encontraram. Eles vagavam pelo teto, perdidos.
- Dante... - ela sussurrou, a língua enrolada. - A luz... tá muito forte.
Franzi a testa. A luz estava baixa.
- A luz está apagada, Tina.
- Não... - ela gemeu, levanto a mão à cabeça. - Dói. Minha cabeça vai explodir. Tem... tem pontos pretos. Eu não tô te vendo direito.
O monitor cardíaco ao lado dela começou a bipar mais rápido. A pressão arterial no visor subiu. 16 por 10. 18 por 11.
- Enfermeira! - chamei, a voz subindo uma oitava. Uma mulher entrou rápido. Olhou o monitor.
- A pressão está subindo muito rápido. Chamem o obstetra de plantão! Agora! - ela disse para a outra que havia entrado logo atrás dela.
Voltei minha atenção para Valentina.
- Dante... - ela apertou minha mão com uma força descomunal, as unhas cravando na minha pele. - Eu não... eu não consigo respirar.
E então, aconteceu. O corpo dela arqueou na cama. Os olhos viraram para trás, mostrando apenas o branco. A boca se abriu num gemido mudo, e ela começou a tremer. Não era um tremor de frio. Era uma convulsão. Violenta. Brutal. O corpo dela batia contra o colchão como se estivesse sendo eletrocutado. Espuma começou a sair pelo canto da boca.
- VALENTINA! - Gritei, tentando segurá-la, tentando impedir que ela se machucasse. O quarto foi invadido. Médicos, enfermeiras, carrinhos de emergência.
- Eclâmpsia! - alguém gritou.
- Ela está convulsionando! Preparem o sulfato de magnésio! Diazepam na veia!
- Ela não está respirando! - outra voz avisou. - A saturação está caindo! Vamos ter que intubar!
O caos era ensurdecedor. O barulho da máquina apitando um alarme contínuo, as ordens gritadas, o som do corpo dela se debatendo. Um enfermeiro alto, de ombros largos, tentou me empurrar.
- Senhor, você precisa sair! Agora!
- Eu não vou sair! - rosnei, segurando a mão dela, que agora estava flácida enquanto o corpo ainda tremia.
- É um protocolo de emergência! - o enfermeiro agarrou meu braço com força para me arrastar. - Você está atrapalhando! Sai!
Eu ia quebrar o braço dele. Eu ia matar qualquer um que tentasse me tirar de perto dela. Mas não precisei. Um clique metálico cortou o barulho do caos. O enfermeiro congelou. O médico parou com o laringoscópio na mão.
Mario estava parado na porta. A arma em punho, apontada diretamente para a cabeça do enfermeiro que me segurava. A expressão de Mario era de pedra. Fria. Letal.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vendida Ao Don Da Máfia