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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 117

Dante

O caminho de volta para casa não foi uma viagem. Foi uma guerra contra o relógio.

Meu motorista dirigia como se as leis da física não existissem, cortando o trânsito de Florença, enquanto eu tentava contato com a segurança da mansão.

Silêncio.

O rádio estava mudo. Joseph não atendia. O portão não respondia.

- Eles usaram inibidores de sinal. - Mario rosnou, batendo no banco depois de mais uma tentativa frustrada de contato. - É um ataque coordenado, Don. Os mercenários limparam o perímetro.

- O Moretti fugiu do baile? - perguntei, checando a munição da minha arma.

- Fugiu pelos fundos. A polícia perdeu o rastro. - Mario respondeu. - Ele deve estar indo para lá. Ou já mandou os cães na frente.

Meu sangue gelou. Eu não disse nada. Não havia espaço para palavras dentro de mim, apenas para uma promessa fria e absoluta: se ele tocasse num fio de cabelo da mia donna, a morte seria apenas o começo do que eu faria com ele.

Quando o carro derrapou na entrada da propriedade, o cenário confirmou meu pior pesadelo.

O portão de ferro estava escancarado. Havia fumaça subindo do jardim. Corpos dos meus homens caídos perto da guarita.

Saltei do carro antes mesmo de ele parar totalmente.

- Cobre à minha esquerda! - gritei para Mario. - Eu vou entrar!

Avancei.

Não corri cego. Corri como quem caça.

Três mercenários surgiram na entrada principal. Profissionais. Equipados. Mas eles cometeram o erro de achar que estavam invadindo uma casa comum. Eles estavam invadindo o covil de um Vitale.

Dois disparos. Dois caíram. O terceiro tentou levantar o fuzil, mas eu fui mais rápido. Um tiro no joelho, outro no peito.

Pulei sobre os corpos e chutei a porta da frente.

O saguão era caos. Vidro, móveis quebrados.

- Valentina! - gritei.

Ouvi o som de luta no andar de cima.

Subi as escadas de dois em dois degraus, o coração batendo na garganta.

No corredor, vi Joseph caído, sangrando, mas vivo, tentando se arrastar. Ele apontou para o quarto.

- Eles... pegaram ela... - ele grunhiu.

Entrei no quarto com a arma erguida.

Dois mercenários seguravam Valentina. Ela lutava. Chutava, arranhava, gritava, protegendo a barriga com o corpo encolhido. Eles tentavam arrastá-la para a varanda, provavelmente para uma rota de fuga pelos fundos.

- Solta ela! - minha voz foi um trovão.

Eles pararam e se viraram.

Foi rápido. Brutal.

Atirei no primeiro, acertando a testa. O segundo usou Valentina de escudo, colocando uma faca no pescoço dela.

- Para trás! - ele gritou, em inglês. - Ou eu corto a garganta dela!

Parei. A mira estava travada na cabeça dele, mas ele se movia, usando o corpo da minha mulher.

Valentina me olhou. Havia terror, sim. Mas havia confiança.

- Dante... - ela choramingou.

- Calma. - falei, minha voz descendo para aquele tom letal. - Você não vai machucá-la. Porque se fizer um arranhão nela, eu vou te manter vivo por dias só para você implorar pela morte.

O mercenário hesitou. O medo nos olhos dele era visível. Ele sabia quem eu era.

Nesse segundo de dúvida, Valentina agiu. Ela pisou com força no pé dele e mordeu o braço que segurava a faca.

Ele gritou e afrouxou o aperto.

Foi o suficiente.

Disparei.

A bala atravessou o olho dele. O corpo caiu para trás, soltando Valentina.

Corri até ela.

- Amore! - segurei o rosto dela, checando se havia ferimentos. - Você está bem?

- Estou... estou... - ela ofegava, tremendo. - Eles queriam me levar... disseram que o Senador estava esperando...

Antes que eu pudesse responder, ouvi passos pesados no corredor. E uma risada.

Uma risada quebrada, louca.

Virei-me para a porta, colocando Valentina atrás de mim.

O Senador Moretti apareceu na moldura.

Ele estava destruído. O smoking rasgado, o rosto sujo de fuligem, uma arma na mão. Ele parecia ter envelhecido vinte anos em duas horas. A loucura brilhava nos olhos dele.

Ele olhou para os corpos dos mercenários no chão, depois para mim.

- Você é difícil de matar, Vitale. - ele rosnou.

- E você é difícil de morrer, Moretti. - respondi, mantendo a arma apontada para o peito dele. - Acabou. Seus homens estão mortos. A polícia está chegando. Solta a arma.

- Acabou? - ele riu, entrando no quarto. - Para mim acabou faz tempo. Desde que você decidiu destruir meu nome naquele telão.

Ele levantou a arma, mas não mirou em mim.

Mirou em Valentina, que espiava por trás do meu ombro.

- Sai da frente, Dante. - ele mandou, a mão tremendo. - Eu vim buscar o que é meu. A vida dela pela minha.

- Você vai ter que me matar primeiro. - avisei.

- Com prazer.

Ele ia atirar. Eu vi o dedo pressionar.

Eu estava pronto para disparar também. Seria um duelo à queima-roupa. Eu provavelmente o mataria, mas ele poderia me acertar. Ou acertar ela.

Foi quando um vulto surgiu atrás dele, no corredor.

- PAI, NÃO!

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