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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 116

Dante

Há muitas formas de matar um homem.

Você pode usar uma bala, e é rápido.

Pode usar uma lâmina, e é pessoal.

Pode usar as mãos, e é visceral.

Mas quando o homem é um político, um ser feito de vaidade, mentiras e ternos caros, a morte física é misericórdia. Para destruir um homem como o Senador Moretti, primeiro você precisa tirar a única coisa que ele ama mais do que o próprio reflexo: o nome.

Eu me vesti para o funeral dele. Terno preto, corte italiano impecável, abotoaduras de ônix. Nenhuma arma visível. A arma hoje não era de chumbo. Era de dados.

Desci as escadas da mansão. Valentina estava na biblioteca, lendo, ou fingindo ler sob a vigilância de quatro homens. Quando entrei, ela levantou os olhos. Havia preocupação neles, mas não medo.

Ela sabe bem com quem foi que ela decidiu passar o resto da vida.

Caminhei até ela, beijei o topo da sua cabeça e sussurrei:

- Não me espera acordada. - Ela segurou minha mão por um segundo.

- O que você vai fazer?

- Vou tirar o lixo de Florença. - respondi.

- Dante... - ela começou mas a interrompi com um beijo, um daqueles que diz mais do que qualquer palavra diria.

- Está tudo bem mia vita. - ela me encarou por alguns segundos, passou a mão no meu rosto e me puxou para mais um beijo.

- Eu te amo... - murmurou com a boca ainda na minha.

- Te amo mais. - respondi e me despedi.

A noite estava quente, mas o ar dentro do carro blindado era gelado. Mario estava ao meu lado, verificando o tablet pela última vez. A expressão dele estava melhor agora que Sofia estava completamente recuperada.

- Tudo pronto, Don. - ele informou. - A imprensa está no local. Os áudios foram distribuídos para os servidores seguros. Os dossiês fiscais estão na mão do procurador-geral, que coincidentemente também está na festa.

Sorri. Não havia humor. Apenas a satisfação mecânica de ver uma engrenagem girar para esmagar um dedo.

- O momento? - perguntei.

- Ao seu sinal. - assenti.

O evento era no Palazzo Corsini. O tipo de festa onde a elite de Florença se reúne para beber champanhe caro e fingir que não tem sangue nas mãos. Lustres de cristal, música clássica ao vivo, risadas polidas.

O carro parou. Desci. A entrada parou. Não porque eu gritei. Não porque eu empurrei. Mas porque o poder tem uma frequência. E quando eu entro num lugar, eu mudo a vibração do ambiente.

Os flashes dos fotógrafos estalaram, cegantes, mas eu não parei. Caminhei direto para o salão principal, meus homens abrindo caminho como se cortassem água.

Vi Moretti quase imediatamente. Ele estava no centro de uma roda, segurando uma taça, rindo alto com a cabeça inclinada para trás. Parecia um rei em seu castelo. Um homem que achava que o desaparecimento de Beatrice e o silêncio de Carmella o tinham deixado seguro.

Tolo.

O silêncio não protege. O silêncio acumula.

Avancei. As pessoas notaram. O círculo ao redor dele se abriu instintivamente, como animais menores sentindo a chegada do predador. O riso de Moretti morreu na garganta quando seus olhos encontraram os meus.

Ele empalideceu. Mas Moretti é político. Ele tentou recuperar a máscara.

- Don Vitale... - ele disse, abrindo os braços num gesto falso de acolhimento. - Que surpresa vê-lo aqui. Pensei que estivesse em Londres.

Parei a dois passos dele. Perto o suficiente para ele sentir o frio que eu trouxe comigo.

- Eu voltei, Senador. - minha voz saiu baixa, mas projetada para ser ouvida por quem importava. - Porque descobri que havia coisas sujas demais na minha cidade. E eu sou um homem que gosta de limpeza.

O sorriso dele tremeu.

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