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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 109

Dante

Eu não me levantei.

Não porque ela não fosse bonita. Nem porque o corpo dela não soubesse exatamente como provocar.

Mas porque sou um homem casado. Um homem que ama a própria mulher, que a deixou dormindo em nosso quarto poucas horas antes, com a respiração tranquila e a mão instintivamente protegendo a barriga onde nossos filhos crescem.

E também porque, no instante em que o casaco tocou o chão, eu entendi.

Aquilo não era sedução.

Era cálculo.

Sedução nasce do desejo de ser escolhida. Aquilo vinha do ódio de não ter sido.

Beatrice avançou dois passos, lenta, confiante, como quem entra num território que acredita dominar há anos. O tecido fino da lingerie desenhava um corpo que sempre esteve ali, à vista, mas nunca à disposição. Não para mim. Nunca para mim.

Ela tentou sentar no meu colo como se fosse um gesto natural, íntimo demais para ser recente, íntimo demais para ser permitido.

Minha mão subiu rápido. Firme. Espalmada no ar entre nós.

- Não. - Minha voz saiu baixa, definitiva.

Ela arqueou uma sobrancelha, surpresa apenas o suficiente para não parecer rejeitada. Beatrice odeia parecer rejeitada. Sempre odiou.

- Dante... - disse, suave demais. - Não precisa fingir que isso te incomoda.

Incomodar? Não.

Isso não me incomoda porque eu não a quero. Nunca quis.

Mas me alerta.

E muito.

Ela ignorou minha ordem e se sentou mesmo assim, roçando o corpo em mim sem pudor algum, como se insistência pudesse virar desejo. Como se proximidade física tivesse poder de reescrever limites que nunca foram ambíguos.

Segurei o braço da cadeira com força, mantendo o corpo imóvel. Controle é uma linguagem. E eu falo fluentemente. Aprendi cedo que reagir demais é dar vantagem.

- Levanta. - ordenei novamente.

Ela não obedeceu. Beatrice nunca obedece de primeira. Em vez disso, inclinou-se mais, aproximando o rosto do meu, deixando o perfume doce demais invadir o espaço. Um perfume que, naquele momento, me pareceu quase enjoativo.

- Você sempre gostou de mulheres que sabem o que querem - murmurou. - E eu sempre soube o que queria de você.

Foi ali que eu vi com clareza absoluta.

Não era desejo.

Não... era mais que isso.

Era posse.

Ela não queria me conquistar.

Queria me tomar.

Beatrice tentou se mover de novo, insistente, testando limites como quem força uma fechadura antiga, acreditando que uma hora a porta cede. Eu segurei seus ombros e a empurrei para trás, com força suficiente para afastá-la, não para machucar.

- Eu disse não. - repeti, agora mais frio.

O sorriso dela vacilou. Um milímetro. Mas Beatrice é rápida. Sempre foi. Ela se recompõe como quem troca de máscara.

Então avançou de repente.

Puxou-me pelo colarinho e tentou me beijar.

Por puro instinto, a empurrei com força. Beijar? Só a minha mulher!

Ela perdeu o equilíbrio e caiu no chão, o impacto seco quebrando o silêncio da sala. O som ecoou como um estalo curto, definitivo.

Por um segundo, achei que ela fosse chorar.

Erro meu.

Beatrice riu.

Riu alto. Amargo. Descontrolado. Um riso que não vinha de humor, mas de frustração acumulada.

- Então é isso? - explodiu, levantando-se em um salto. - Depois de tudo que eu fiz por você?

O rosto dela havia mudado. A máscara elegante rachou inteira, revelando algo mais feio, mais cru.

- Quantos negócios eu fechei pra você, Dante? - disparou. - Quantas portas eu abri quando seu sobrenome ainda era só uma ameaça e não uma certeza? Quantas vezes eu te protegi quando alianças estavam por um fio?

Levantei-me devagar. Não para intimidar. Para encerrar.

- Eu nunca pedi nada disso. - rebati. - E nunca confundi ajuda com direito.

Ela avançou um passo, os olhos faiscando.

- Você me deve! - gritou. - Eu te sustentei politicamente quando as pessoas não queriam fazer negócios com o Don Vitale!

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