Entrar Via

Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 103

Dante

Carmella engoliu em seco.

- Senhor Vitale... - ela começou, tentando retomar aquela voz de assistente perfeita, a mesma que ela usou no salão. - Isso está saindo do controle.

Eu ri.

Um riso curto.

- Controle? - repeti. - Você deixou duas mulheres trancadas com fumaça e fala de controle.

Beatrice endureceu.

- Solta ela. Agora.

Eu dei um passo na direção de Beatrice. Um passo só.

E a sombra do Don cobriu a luz dela.

- Você não dá ordens na minha casa. - eu disse. - E esse hotel, hoje, é minha casa.

Os olhos dela brilharam. Um brilho perigoso, quase... prazeroso.

Ela gosta de força. Sempre gostou. Só nunca admitiu.

- Você não vai fazer nada com ela. - Beatrice disse. - Não enquanto eu estiver aqui.

A frase pairou como desafio.

Eu guardei.

Não porque eu não soube responder. Mas porque eu soube que responder agora seria desperdiçar munição com quem ainda estava tentando manter a máscara.

Eu virei para o homem preso.

- Qual é o seu nome? - perguntei.

Ele hesitou.

Meu homem deu um passo e encostou a mão no ombro dele, pesado, lembrando que a sala não tinha saída.

- Lewis. - ele cuspiu. - Lewis.

- Lewis. - repeti, como quem prova o som. - Quem te pagou?

Ele soltou uma risada amarga.

- Eu não sei.

- Sabe sim. - eu disse, com voz de quem já viu mil versões da mesma mentira. - Você só não sabe o nome.

Ele ficou em silêncio. Eu fiz um gesto. Um dos meus homens abriu a maleta.

O kit do Don não é uma coleção de ferramentas. É um lembrete de que, quando eu tiro a luva, eu não estou mais negociando.

Beatrice tensionou o corpo.

- Dante. - ela avisou. - Não.

Eu nem olhei para ela.

Eu abri a maleta. Tirei as luvas. Vesti uma por uma.

O som do látex esticando na pele foi o tipo de música que só assassinos de mentira acham bonita.

Eu não sou assassino de mentira.

Sou um homem que protege o que é meu.

- Fala. - eu mandei, encarando Lewis. - Quem te pagou?

Ele cuspiu no chão.

- Eu já disse. Não sei.

Eu me aproximei.

Abaixei ao nível dele.

Fiquei perto o suficiente para ele sentir meu perfume, meu calor, meu perigo.

- Você jogou aquilo num banheiro com duas mulheres. - murmurei. - Uma grávida. Outra... uma garota que agora está na UTI porque você achou que era só fumaça.

A respiração dele falhou um pouco.

- Eu só fiz o que mandaram. Eu não sabia que...

- Você sabia que era uma bomba. - cortei. - Você não precisa saber o nome da vítima pra saber o peso do que fez.

Ele apertou os olhos, como se tentasse não ceder.

Eu me endireitei.

E então eu fiz o que o Don faz: eu deixei o medo crescer.

Dei um sinal.

Um dos meus homens se aproximou por trás e segurou o rosto de Lewis, forçando-o a olhar.

Eu não vou descrever o que fiz em detalhes. Não por pudor. Por precisão.

Dor não é espetáculo.

Dor é ferramenta.

E eu a usei como quem escreve com tinta escura.

Lewis gritou. A voz dele se quebrou.

- Tá! Tá! - ele cuspiu entre respirações. - Eu... eu falo!

Eu parei.

A pausa é mais cruel do que o golpe. Porque a pausa diz: eu controlo quando começa e quando termina.

- Então fala. - repeti.

Ele chorou. Não de arrependimento. De instinto.

- Eu não conheço a pessoa. Eu juro! Foi a primeira vez!

- Quem? - eu pressionei, aproximando o rosto. - Homem? Mulher?

- Mulher. - ele respondeu, rápido. - Era... era mulher.

Carmella se mexeu. Um gesto pequeno.

Beatrice ficou imóvel demais.

- Continua. - eu disse, sem desviar.

Lewis engoliu.

- Ela me encontrou na frente do evento... eu tava... eu tava precisando de dinheiro. Ela disse que era simples. Que era só assustar. Só jogar e sair. Disse que ninguém ia morrer.

Minha mão fechou.

A palavra ninguém me deu vontade de quebrar o mundo.

- Como ela era? - perguntei. - Descreve.

- Eu... eu não vi o rosto direito. - ele falou, tremendo. - Tinha capuz. E... e usava um perfume doce. Muito doce. Forte.

Eu senti algo mexer dentro de Carmella. Uma defesa automática. Ela tentou disfarçar.

Não adiantou.

- E tinha um anel. - Lewis continuou, com medo de esquecer um detalhe e pagar por isso. - Um anel... com uma pedra azul e vermelha. Eu lembro porque... porque brilhou quando ela me entregou o dinheiro.

O ar na sala mudou.

Eu virei devagar.

Meu olhar encontrou Carmella.

E Carmella, pela primeira vez, perdeu o controle do próprio rosto. Foi só um segundo, mas o medo escorreu pelos olhos dela como veneno.

Eu caminhei até ela.

Sem pressa.

- Mostra sua mão. - eu ordenei.

Carmella recuou um passo.

- Eu... eu não...

- Agora. - minha voz não levantou. Ela desceu. - Mostra.

Beatrice se colocou na frente.

- Não. - ela disse, com firmeza. - Você não vai humilhar minha assistente.

Assistente.

A palavra foi uma faca.

Porque não era sobre cargo. Era sobre posse. Sobre proteção. Sobre esconder.

Eu encarei Beatrice por um longo segundo.

E então falei, baixo o suficiente para só ela entender.

- Não me queira como seu inimigo, Beatrice.

Os olhos dela brilharam mais uma vez. Um brilho que não combinava com indignação.

Ela gostou da ameaça.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Vendida Ao Don Da Máfia