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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 102

Dante

- Não, Beatrice. - respondi, calmo. - Agora é exatamente quando começa.

O silêncio que veio depois não foi vazio.

Foi denso.

Foi o tipo de silêncio que existe antes de uma execução, quando até o ar parece segurar a respiração para não atrapalhar o destino.

Beatrice não recuou. Ela nunca recua quando sente que está perdendo o controle. Ela avançou um passo, como quem entra num território que acredita ainda reconhecer.

Carmella, atrás de mim, ainda ofegava do grito. A palavra falo tinha escapado dela como uma pessoa escapa de um incêndio. E Beatrice tinha entrado como quem fecha a porta de propósito.

Os olhos dela se moveram pela sala e pararam num detalhe que não estava ali antes.

Um dos meus homens segurava outro homem pelos braços, empurrando-o para dentro. O sujeito cambaleou, como se o corpo não obedecesse mais com a mesma dignidade. O rosto estava inchado, um corte no supercílio, sangue seco na boca. A aparência de quem tinha apanhado não porque meus homens gostam de bater... mas porque a verdade costuma ser teimosa e a dor costuma ser convincente.

Beatrice fez um pequeno sinal com a mão. Elegante. Discreto. Um gesto que parecia inocente para qualquer pessoa comum.

Mas eu não sou qualquer pessoa.

Eu reconheço comando.

- Solta a Carmella. - Beatrice ordenou. A voz firme, polida, treinada para ser lei no lugar de súplica. - E termina com essa brincadeira agora.

Ela apontou com o queixo para o homem machucado, como se ele fosse um presente embrulhado.

- Eu trouxe o seu culpado.

A frase caiu como uma moeda falsa sobre a mesa.

Eu sustentei o olhar dela, sem pressa.

Por dentro, eu vi as peças se mexendo. Vi o truque. Vi a tentativa de jogar fumaça sobre a fogueira.

Ela queria desviar o foco. Queria me dar um alvo rápido, um bode expiatório com sangue barato, para impedir Carmella de abrir a boca e puxar o fio que provavelmente terminaria... nela.

Eu não disse isso. Não ainda.

Eu só sorri lento, controlado e deixei a minha calma fazer o trabalho que gritos não fazem.

- Interessante. - murmurei. - Você entrou exatamente no momento em que a verdade ia sair.

Beatrice apertou os lábios.

- Você está cego, Vitale. - ela rebateu, um pouco mais dura. - Esse homem foi quem jogou a bomba no banheiro. Eu descobri. Eu trouxe. Então... acabou.

È finito.

A palavra favorita de quem quer encerrar uma história antes do capítulo final.

Eu inclinei a cabeça, como se considerasse.

- Tudo bem. - eu disse.

Beatrice piscou.

Foi rápido, quase imperceptível, mas ela piscou.

E naquele instante eu vi. Ela esperava resistência. Esperava confronto. Esperava que eu rosnasse.

Aceitar rápido demais sempre parece mentira.

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