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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 101

Dante

Eu pausei.

Deixei o silêncio bater.

- Interessante você usar "bombas". - murmurei. - Eu não disse essa palavra para você. Ainda.

Ela congelou.

A sala inteira congelou com ela.

Carmella tentou engolir o erro, tentou transformar em nada.

- Todo mundo viu a fumaça. Qualquer pessoa poderia deduzir.

- Deduzir fumaça. - eu disse. - Não deduzir a intenção.

Ela apertou os dedos no próprio colo.

Meu homem deu um passo.

- Don, o controle do sistema de câmeras foi acessado remotamente por um login externo. - ele disse. - Não foi falha. Foi comando.

Carmella virou o rosto para ele, assustada.

- Isso não tem nada a ver comigo!

- Tem. - ele disse. - Porque o acesso foi feito a partir do computador da secretaria do evento.

Ela engoliu seco.

- Isso é mentira.

Meu homem continuou, impassível.

- E alguém inseriu uma autorização temporária no sistema de segurança hoje de tarde. O nome que pediu foi o seu. O e-mail de confirmação foi para sua conta.

Carmella começou a tremer.

E ali eu senti, com clareza, a diferença entre duas coisas: inocência e medo. Inocência se revolta. Medo calcula.

Ela estava calculando.

- Eu não... eu não sei do que você está falando. Eu nem estive na secretaria hoje.

- Mas alguém esteve usando sua senha. - eu disse, como quem oferece o único caminho que resta. - Alguém que você deixou.

Ela fechou os olhos por um segundo. Um segundo inteiro. Era o tempo de uma confissão interna.

Quando abriu, os olhos estavam úmidos, não de arrependimento.

De sobrevivência.

- Eu não fiz nada com as câmeras. - ela repetiu. - Eu saí com Beatrice. Eu não teria como...

- Exato. - eu disse, com um sorriso mínimo. - Você não teria como.

Ela piscou, confusa.

- Então por que estou aqui?

Eu levantei devagar.

E o ar da sala ficou mais pesado, como se o teto tivesse descido.

- Porque você é a ponte. - respondi. - Você é a mão que conduziu. Você é a voz que mentiu. E você é a pessoa que conhece o nome do cúmplice que apertou o botão.

Carmella se levantou também, instintiva, como se quisesse crescer.

- Eu não conheço cúmplice nenhum!

Eu caminhei até ela, parando a uma distância íntima, perigosa.

- Mentira. - sussurrei.

Ela mordeu o lábio, e aquilo foi mais revelador do que qualquer palavra.

- Se você não sabe quem fez, então você deixou duas mulheres naquele corredor e saiu para se encontrar com Beatrice como se nada tivesse acontecido. - minha voz ficou mais baixa. - Isso te faz o quê, Carmella? Burra? Ou monstruosa?

Ela abriu a boca, mas nenhuma frase saiu.

- Você escolhe. - eu continuei. - Ou você é a mandante... ou você é a cúmplice perfeita. As duas te levam ao mesmo fim.

Carmella começou a respirar mais rápido. A máscara estava rachando de verdade agora.

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