Dante
Eu pausei.
Deixei o silêncio bater.
- Interessante você usar "bombas". - murmurei. - Eu não disse essa palavra para você. Ainda.
Ela congelou.
A sala inteira congelou com ela.
Carmella tentou engolir o erro, tentou transformar em nada.
- Todo mundo viu a fumaça. Qualquer pessoa poderia deduzir.
- Deduzir fumaça. - eu disse. - Não deduzir a intenção.
Ela apertou os dedos no próprio colo.
Meu homem deu um passo.
- Don, o controle do sistema de câmeras foi acessado remotamente por um login externo. - ele disse. - Não foi falha. Foi comando.
Carmella virou o rosto para ele, assustada.
- Isso não tem nada a ver comigo!
- Tem. - ele disse. - Porque o acesso foi feito a partir do computador da secretaria do evento.
Ela engoliu seco.
- Isso é mentira.
Meu homem continuou, impassível.
- E alguém inseriu uma autorização temporária no sistema de segurança hoje de tarde. O nome que pediu foi o seu. O e-mail de confirmação foi para sua conta.
Carmella começou a tremer.
E ali eu senti, com clareza, a diferença entre duas coisas: inocência e medo. Inocência se revolta. Medo calcula.
Ela estava calculando.
- Eu não... eu não sei do que você está falando. Eu nem estive na secretaria hoje.
- Mas alguém esteve usando sua senha. - eu disse, como quem oferece o único caminho que resta. - Alguém que você deixou.
Ela fechou os olhos por um segundo. Um segundo inteiro. Era o tempo de uma confissão interna.
Quando abriu, os olhos estavam úmidos, não de arrependimento.
De sobrevivência.
- Eu não fiz nada com as câmeras. - ela repetiu. - Eu saí com Beatrice. Eu não teria como...
- Exato. - eu disse, com um sorriso mínimo. - Você não teria como.
Ela piscou, confusa.
- Então por que estou aqui?
Eu levantei devagar.
E o ar da sala ficou mais pesado, como se o teto tivesse descido.
- Porque você é a ponte. - respondi. - Você é a mão que conduziu. Você é a voz que mentiu. E você é a pessoa que conhece o nome do cúmplice que apertou o botão.
Carmella se levantou também, instintiva, como se quisesse crescer.
- Eu não conheço cúmplice nenhum!
Eu caminhei até ela, parando a uma distância íntima, perigosa.
- Mentira. - sussurrei.
Ela mordeu o lábio, e aquilo foi mais revelador do que qualquer palavra.
- Se você não sabe quem fez, então você deixou duas mulheres naquele corredor e saiu para se encontrar com Beatrice como se nada tivesse acontecido. - minha voz ficou mais baixa. - Isso te faz o quê, Carmella? Burra? Ou monstruosa?
Ela abriu a boca, mas nenhuma frase saiu.
- Você escolhe. - eu continuei. - Ou você é a mandante... ou você é a cúmplice perfeita. As duas te levam ao mesmo fim.
Carmella começou a respirar mais rápido. A máscara estava rachando de verdade agora.

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