Entrar Via

Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 100

Dante

O caos tem uma linguagem própria.

Ele não grita sempre. Às vezes ele sussurra. Se veste de protocolo, de "foi só um susto", de "não vi nada". E quando você percebe, já está com as mãos cheias de sangue que não viu cair.

No hospital, por alguns minutos, eu fui só homem. Só marido. Só alguém que espera uma porta abrir para ouvir que o mundo ainda existe.

Mas assim que vi Valentina respirando, assim que soube que os nossos filhos ainda estavam ali, teimosos, batendo forte dentro dela... algo em mim mudou de lugar.

Porque o alívio não apaga o crime.

Ele só acende a caça.

E eu não sou feito para esquecer.

Voltei ao hotel com a calma de quem não tem mais nada a perder. Meus homens iam comigo em silêncio. O tipo de silêncio que só existe quando todo mundo sabe que a ordem já foi dada antes mesmo de ser dita.

Carmella foi encontrada no corredor do andar executivo, tentando sair pela garagem, como se pudesse se dissolver no escuro. Ela estava rendida quando cheguei. Não chorava, não tremia, não implorava. Ainda.

Ela tinha aquele olhar de gente esperta demais para ser inocente. A postura de quem vive de palavras e acha que as palavras podem virar escudo.

Levaram-na para uma sala privativa do hotel. Sem janelas. Sem glamour. Sem plateia. Apenas o espaço necessário para a verdade aparecer... ou ser arrancada de dentro dela como se arranca um espinho.

Eu entrei.

Ela ergueu o rosto, me encarou e sorriu com uma coragem que não era coragem.

Era aposta.

- Don Vitale... - disse ela, com a voz muito bem colocada. - Eu sinto muito pelo que aconteceu com sua esposa. Foi horrível.

Eu não respondi. Sentei devagar, como quem não tem pressa de terminar porque sabe que o fim é inevitável.

Meus homens ficaram espalhados. Imóveis. Sem armas à mostra. A violência não precisava aparecer para ser entendida.

Eu queria que Carmella entendesse uma coisa simples: o medo não nasce do golpe. Nasce da certeza de que não existe saída.

- Você vai falar só quando eu perguntar. - eu disse, baixo.

O sorriso dela perdeu um milímetro.

- Claro.

Fiquei alguns segundos observando. Ela tentava manter a respiração no ritmo. Tentava não demonstrar nada. O problema de gente como Carmella é que elas são treinadas para convencer homens comuns.

Eu não sou comum.

- Você levou minha esposa e a Sofia para o banheiro de funcionários. - eu disse.

Ela inclinou a cabeça, como se fosse um detalhe.

- Eu levei porque o principal estava interditado. Foi uma gentileza.

A palavra gentileza me deu vontade de rir.

- Gentileza é oferecer água. - murmurei. - Não é conduzir uma mulher grávida por um corredor fora do fluxo do evento.

- Era o caminho mais rápido. - ela rebateu, sem hesitar. - E eu não sabia que...

Ela parou. Engoliu seco, tentando escolher a frase que a deixaria mais limpa.

- ... que algo assim ia acontecer.

Eu apoiei o cotovelo no braço da cadeira.

- Algo assim. - repeti, como se estivesse provando o gosto da expressão. - E o que seria "algo assim"?

Ela arregalou os olhos por um instante. Pequeno. Quase invisível. A primeira rachadura.

- Don, eu não vi nada. - disse, rápido. - Quando elas entraram, eu fiquei do lado de fora. Eu fiz exatamente o que falei no salão: eu deixei a senhora Vitale no banheiro com a amiga.

A frase foi boa.

E justamente por isso... denunciava.

Ela estava reconstruindo a cena com a mesma linha que tinha usado antes. Como se repetição virasse verdade.

- Você disse no salão que a deixou no banheiro com a amiga. - confirmei, sem tirar os olhos dela. - E disse isso enquanto a minha esposa já estava presa numa sala fechada, com fumaça se acumulando.

Carmella endureceu a mandíbula.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Vendida Ao Don Da Máfia