O som da porta se abrindo ainda ecoava nos meus ouvidos quando tudo à minha volta pareceu congelar. A suíte era ampla demais, silenciosa demais, eu não o via ainda, mas ouvia seus passos firmes, com passados, como os de alguém que não pedia licença para existir.
Cada passo soava como uma sentença, o chão de mármore parecia amplificar o som das solas dos sapatos dele, e eu quase podia senti-lo se aproximando mesmo sem vê-lo ainda.
Minha respiração ficou curta e o meu corpo inteiro arrepiou.
Fiquei de pé, bem em frente à cama, como se estivesse sendo julgada antes mesmo do crime. A lingerie colava na minha pele como se não quisesse mais sair, e pela primeira vez, percebi que minhas mãos tremiam levemente.
O som dos passos diminuiu e então ele surgiu.
Do corredor interno, entre as colunas douradas que levavam até a parte central da suíte, ele apareceu.
E, por um segundo, eu esqueci como se respirava.
O homem diante de mim era o oposto de tudo que eu havia imaginado. Ele não era velho, nem extravagante, era jovem, muito jovem.
Teria, no máximo, trinta anos, alto, ombros largos, porte ereto, como um guerreiro moderno, vestindo uma túnica longa, de mangas compridas e um manto por cima da cabeça.
Tudo nele me chamou a atenção, o tom dourado da pele, e os olhos, meu Deus, os olhos...eram de um castanho quase âmbar, intensos e penetrantes. Olhos que pareciam despir minha alma antes mesmo do meu corpo.
Tinha a barba bem desenhada, os traços marcantes, o maxilar forte e o nariz levemente curvado, o que só acentuava sua origem árabe. Ele tirou o manto, e eu pude ver seus cabelos, eram negros, cortados com precisão, com um toque de rebeldia no topo. E sua presença era como a de um rei, ou de um predador.
Ele parou de frente para mim, a uns dois metros da cama, com as mãos nos bolsos do paletó. Não disse nada, apenas me olhou...E olhou, e olhou.
Dos pés à cabeça, depois de volta para os meus seios, para os quadris, para o meu rosto. Eu estava imóvel, tentando sustentar aquilo. Mas o sangue corria tão rápido no meu corpo que me senti fraca, eu quis me cobrir, quis correr, mas não consegui fazer nada.
E então, ele falou.
— Venha aqui.
O som da voz dele me arrepiou até os ossos.
Era grave, imponente.

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