Comecei a sentir a excitação dele contra o meu corpo, um aviso silencioso do quanto aquele beijo o afetava.
O calor da pele dele era intenso, dominador, quase sufocante. Meu coração disparou, não por desejo, mas por instinto.
Mas, para minha surpresa, ele se afastou.
O toque cessou de repente, como se ele tivesse se lembrado de algo importante demais para ser ignorado. O espaço entre nós voltou a existir, e junto com ele, um silêncio pesado, carregado de coisas não ditas.
— Ainda não é o momento, Júlia. Disse, com a voz grave, controlada demais para alguém que claramente lutava contra si mesmo.
— Preciso resolver algumas coisas. Sei que pedi para você ficar pronta para mim, mas depois do que aconteceu aqui…
Ele não terminou a frase. Não precisou. O eco da presença de Laura ainda parecia impregnado nas paredes, no chão, no ar daquele quarto. Eu engoli em seco, puxando o lençol de volta para perto do meu corpo, mais por reflexo do que por pudor.
— Tudo bem.
Respondi, tentando manter a voz firme.
— Eu compreendo.
E, pela primeira vez desde que cheguei ali, não era uma mentira.
Ele desviou o olhar, caminhou alguns passos pelo quarto, passando a mão pelo rosto, como se estivesse cansado. Então falou novamente, agora sem me encarar.
— Só preciso de alguns minutos antes de poder sair.
Quando ele olhou para baixo, entendi exatamente o que queria dizer. Não era só sobre Laura. Era sobre o próprio corpo, sobre o controle que ele exigia de si naquele momento, ele ainda estava duro feito pedra.
Aquela constatação me deu algo raro, uma margem.
Era a primeira vez que eu via uma brecha real.
A primeira vez que Al Rashid não estava impondo, mas reagindo.
Eu não sabia o motivo daquela mudança repentina de postura, mas sabia de uma coisa com absoluta certeza, de que se eu não aproveitasse aquele instante, talvez nunca tivesse outra chance.
Respirei fundo.
— Antes de você ir… poderíamos ter uma conversa?
Ele parou imediatamente. O corpo inteiro ficou rígido. O olhar voltou para mim, duro, desconfiado.
— Se for para tentar me convencer a te deixar livre, pode esquecer, Júlia.
Engoli o impulso de responder atravessado. Eu precisava ser estratégica. Pela primeira vez na minha vida, sobreviver dependia mais da minha língua do que do meu corpo.
— Só quero que você me escute. Falei com calma.
— Se eu começar a te irritar, eu me calo.
Ele fechou os olhos por um breve instante, soltando o ar lentamente pela boca, como quem se prepara para algo que não quer, mas aceita. Por fim, fez um movimento curto com a cabeça, concordando.
— Fale.
Apoiei melhor o lençol sobre mim e organizei os pensamentos. Cada palavra precisava ser escolhida com cuidado cirúrgico.
— De acordo com o trato que você tem com Carolina, eu só deveria ficar aqui por um ano. Um ano trabalhando, um ano pagando uma dívida. Mas você disse à sua esposa que faria de mim sua segunda esposa. Como isso poderia ser possível… se, teoricamente, eu só ficaria aqui por um ano?
Ele não respondeu de imediato. Apenas me observou, como se estivesse avaliando até onde eu realmente entendia da situação.
— Eu não me prendo a contratos, Júlia.
Respondeu, por fim.
— Tenho meios de manter você aqui pelo tempo que eu quiser.
Aquilo fez um frio subir pela minha espinha, mas eu não recuei.
— Você sabe que não é tão simples assim, Al Rashid.
Rebati, com cuidado.
— Você tem um nome a zelar. Poder, influência, reputação. Não correria riscos tão grandes me mantendo aqui contra a minha vontade. Isso geraria problemas que nem mesmo você gostaria de administrar.
Ele cerrou os olhos, dando um passo na minha direção.
— Se você está entrando nessa conversa comigo...

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