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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 27

JÚLIA

*

Eu permaneci ali, debruçada na cama do quarto, com o rosto encharcado de lágrimas, me sentindo um erro ambulante prestes a perder tudo ao mesmo tempo, minha mãe e a mim mesma.

—Eu não sirvo nem para ser puta.

Gritei, como se nada ao redor pudesse me ouvir.

Quando decidi que não seria concubina daquele Sheik frio e controlador, não imaginei que minha única alternativa seria piorar o cenário que já estava ruindo. Era como escolher entre a coleira dele e a coleira do mundo.

O celular vibrou sobre a escrivaninha, me fazendo levantar o rosto no mesmo instante. Eu esperava, do fundo da alma, que não disse o hospital dizendo o pior, já que eu estava demorando a dar uma resposta, mas era Carolina.

Eu engoli as lágrimas e destravei o aparelho com mãos trêmulas.

A mensagem dela fez meu peito afundar...

“Que bom que você se deu conta que eu sou a sua melhor escolha. Agora, para que eu faça tudo o que estiver ao meu alcance pela sua mãe, preciso que você assine um contrato comigo que afirma que você irá trabalhar para mim até pagar tudo o que eu gastar com ela.

Assine por firma digital e faça um vídeo dizendo que está de acordo com o contrato. Isso é uma garantia para mim já que você está distante.

Vou te enviar em alguns minutos.”

Meu coração parou por um segundo.

Era esse o mundo real.

Sem espaço para ingenuidades.

Carolina não estava me salvando.

Ela estava me comprando.

E eu… não tinha mais ninguém.

De repente, tudo ficou silencioso ao meu redor. O telefone, minhas lágrimas, até minha respiração, como se eu tivesse sido sugada para dentro de mim mesma.

Essa era a saída?

Ser novamente um produto?

Um corpo vendido sem direito de escolha?

Pelo restante de uma dívida que poderia ser eterna?

O e-mail chegou.

Com uma coragem que não era coragem, era desespero puro, eu abri o arquivo.

À medida que os parágrafos surgiam, minha garganta se fechava.

Eu ficaria presa àquela agência enquanto houvesse qualquer débito em meu nome.

Eu não teria direito de recusar clientes.

Eu deveria atender qualquer pedido durante os encontros.

O dinheiro que eu ganhasse seria quase todo para a agência.

Era um contrato para uma escrava de luxo.

Cada linha tinha gosto de prisão.

Minhas mãos suavam.

Meus olhos ardiam.

Minha alma gritava.

Mas minha mãe…

Sem tratamento, ela não tinha tempo.

Eu apertei o celular com força. Pensei no cheiro do colo dela, nas mãos quentes dela segurando as minhas quando eu era pequena, no sorriso cansado que ainda tentava ser forte.

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