Amélie Walker
Sinto uma alegria enorme ao saber que havia alguém ao meu lado que me ajudará a sair daqui. Olho para a mulher com uma legging e uma blusa tipica da área da enfermagem, seu sorriso me deixou ainda menos preocupada com o que poderiam acontecer.
Caminho ao seu lado até a praça que havia do outro lado da rua, estava bem cheia, na verdade, com muitas crianças andando de bicicletas, casais sentados na grama, o que me fez lembrar do dia que fiquei assim com o Tom no jardim de Luxemburgo.
Quando estávamos bem afastadas da casa, Camille me ajudou a sentar em um dos banquinhos, sentamos de frente para a entrada do parque para entrada, assim poderíamos saber se alguém estaria a minha procura.
— Me diga, como ele está? — Peço e vejo uma tristeza em seu olhar, o que me deixa aflita.
— Contarei tudo a você, mas tenha calma, ok? — Ela pede apontando para uma árvore e sigo a direção sem entender.
— Você está sendo vigiada, pensei que quando chegasse aqui realmente não se lembraria de nada, foi uma surpresa saber que a sua memória voltou. — Ela diz sorrindo enquanto retira do bolso um biscoito e esfarela na mão para servir aos pombos.
— Voltou hoje quando vi a minha tatuagem, mas algumas coisas continuam um pouco fora de ordem. — Digo sorrindo ao olhar a aproximação dos pombos.
— Tom está bem, uma fratura no fêmur e ele perdeu um pouco da audição, teve sorte por não morrer afogado. — Ela fala olhando os pombos e mantenho os olhos nos animais.
— Estou aqui com o meu marido Antony, ele está conversando com alguns amigos do senhor Henrique para tirar você daqui, hoje ou amanhã… — Vejo um casal passar por nossa frente com o celular nas mãos.
“Ele não esperou o corpo da esposa esfriar, realmente é uma galinha”
A mulher passa falando, mas não dou atenção, queria ouvir o que a Camille tinha a me dizer.
— Como me irão me tirar daqui? — Pergunto curiosa.
— Gaia Spanos, alterou alguns documentos da empresa do Jacques, por isso ele teve te ir, Faína precisou voltar a um lugar do seu passado para atrair o Hugo e deixar você sem proteção deles. — Por isso ele se foi.
— Estamos esperando por Miguel Carrillo, um amigo de Henrique Carter, vamos fazer as coisas com cuidado porque você está gravida, lembra? — O seu olhar cauteloso me fez rir.
— Lembro, sim, foi a última coisa que disse para o Tom, ou penúltima… — Digo com a mão no meu ventre.
Duas mulheres sentam-se no banco atrás do nosso e podemos ouvir a conversa entre elas, chamando realmente a nossa atenção.
“Estava na cara que esse casamento deles era fachada, provavelmente para controlar o playboy”
“Mas a Amélie é muito mais bonita que essa fisioterapeuta aí!”
“Nesse mundo os casamentos são apenas negócios e Tommáz Walker devia meter muitos chifres nela, até porque olha só o homem é lindo!”
“Realmente um pedaço de mal caminho, que pena que ela morreu…”
Viro em direção da Camille que tenta me acalmar sobre o que acabamos de ouvir. Observo quando ela puxa o celular e abre uma das páginas de fofoca e lá estava uma foto do Tom em pé na frente da cadeira de rodas, com a mulher abraçando a sua cintura e o Tom com a mão em seu pescoço e um sorriso no rosto.
A foto foi tirada a distância, provavelmente de um drone, por isso não tinha uma boa resolução. Mas mesmo assim, o que elas falaram não era mentira, até porque era a minha insegurança foi o motivo pelo qual fugi da sala de reuniões e fui parar no jardim.
Tinha pavor de ser conhecida como a esposa que atura as traições do marido, agora estou aqui, uma esposa morta com o marido flertando com a fisioterapeuta em outro país, pior ainda na casa dos pais.
Saio andando apressada, sentia que a minha cabeça ia explodir de alguma forma, um enjoo forte me fez aproximar até uma lixeira alta, deixei que o café saísse. Estava com a imagem do Tom com outra mulher em seus braços na mente.
— Calma Amélie, é uma notícia falsa… — Não consegui ouvir.
Meu corpo amoleceu.
Minha consciência começou a voltar aos poucos, estávamos em um carro com dois homens na frente e Camille ao meu lado com a mão na minha testa.
— Finalmente. — Ouço a sua voz aliviada.
Meu choro começa a sair baixinho, cobro meu rosto com as mãos e deixo que essas pessoas ouçam todas as minhas inseguranças, coloco para fora cada um dos meus medos e receios sobre ter sido escolhida para ser a esposa de um homem com a fama que Tommáz Walker tem.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Procura-se Uma Noiva
Alguém tem o livro completo ?...
Boa tarde... O resto da história, estava a adorar e do nada acabou......