Amélia Mallet
Minha mente estava tão confusa, por alguma razão sentia que estava dormindo mais que o necessário. Fora o fato que sentia uma dor de cabeça enorme.
Ao abrir os olhos, um homem enorme, de cabelo bem cortado com entradas grandes, revelando que no seu futuro será um calvo, ele tinha olhos azuis inexpressivos com lábios grossos e uma expressão uma tanto que preocupada. Mas a minha mente não me dizia de onde o conhecia.
Ele ficou em pé ao meu lado calado, parecia esperar por algo, como se desse o primeiro passo para falar. Tiro meus olhos de seu rosto, algo que estava me deixando inquieta, comecei a prestar atenção em sua camisa, estava com os dois primeiros botões abertos mostrando uma série de tatuagens escondidas sob a blusa escura. Outra coisa que me causou certa aflição, por algum motivo meu corpo reagia de forma que gritava perigo.
Deixo de olhar para o companheiro ao meu lado e começo a olhar ao redor, percebo que estou em alguma espécie de hospital e por algum motivo não me recordava sobre como vim parar aqui. Algo aconteceu comigo e provavelmente dever ser por esse motivo que não consigo recordar onde estou e pior ainda…
Olho para a porta que anuncia a entrada de alguém com um barulho irritante, o que fez piorar a dor em minha cabeça. Notei quando o médico olhava para o homem ao meu lado, uma conversa silenciosa aconteceu ali. Posso estar nesse momento sem memória, mas ainda não sou idiota, respiro fundo e tento forçar as memórias, pelo menos ao tentar lembrar o meu nome.
— Bom dia, senhorita! — Um médico que entrou no quarto diz.
Com um sorriso meio assustado para o homem que estava na minha frente, chamando novamente a minha atenção para a interação dos dois.
Que estanho…
Ouvir sua saudação de alguma forma pareceu bem estranha, é como se não fosse a minha língua materna, porém, a conhecia.
Meneio a cabeça o cumprimentando, o homem ao meu lado se aproxima e me olha com certo carinho, mas algo me deixou desconfortável ao olhar para ele.
— Como está se sentindo? — Uma boa pergunta, porque também não sei dizer.
Olhava de um para o outro tentando pelo menos saber o meu próprio nome. Algo que estava começando a me deixar aflita, como posso não saber meu próprio nome.
— Alguém pode me explicar o que aconteceu? — Peço aos dois, talvez assim consiga recordar de alguma coisa.
— O que você se lembra? — O homem que me acompanhava pergunta.
Decido ser sincera, por mais que sinta um arrepio ao olhar para ele, vejo que estou bem cuidada.
— Para dizer a verdade, não lembro de nada, apenas tenho a sensação que conheço você, mas não sei de onde. — Observo enquanto eles se olham.
— Bom seu nome é Amélia Mallet, veio para poder escolher a nova residência, mas sofremos um acidente, nosso carro derrapou e você se machucou. — O homem ao meu lado diz.
Ponho a mão na testa sentindo um desconforto grande, fecho os olhos com pequenos flashes.
Uma máscara, o aroma amadeirado, a lembrança me deixou arrepiada de uma forma gostosa, ergo a mão para tocar na cabeça e sinto o pulso doer, provavelmente alguma fratura, olho para o médico que se aproxima com uma prancheta em suas mãos.
— Você três fraturas bem significativa, uma no crânio, outra no pulso e a do tornozelo, fora isso as imagens de seu exame mostravam uma possível sequela na memória… — Minha mente vaga para pequenas lembranças ou sei lá o que seja.
Fecho os olhos e me vejo sentada em um jardim, observando outras pessoas quando o aroma amadeirado estava ali novamente, de alguma forma me sentia excitada e tranquila ao mesmo tempo.
— Meu chefe é seu noivo, Jacques ele está preso em Londres, mas deve chegar aqui em dois dias no máximo Amélia. — O nome do meu noivo parece tão errado, mas apenas concordo com o grandalhão.
— Qual o seu nome? — Pergunto confusa.
— Hugo Furquim, sou o seu segurança. — Ele parece preocupado comigo. — Não se recorda de mim? Trabalho para o seu pai a pelo menos quinze anos.
Meu pai, céus…
Como memórias podem sumir dessa forma?
Por mais que não me sinta segura ao lado do Hugo, vejo que estou bem cuidada nesse hospital. Olho novamente de um para o outro e decido parar de forçar lembranças que por hora não querem vir a superfície.
— Doutor? — Chamo o homem que parece meio receoso ao me olhar. — Minha memória voltará?
— Senhorita, sendo bem sincero creio que não, seu hipocampo foi esmagado e por milagre você não morreu durante a cirurgia. — O que ele me diz me deixa ainda mais aflita.
— Você é um milagre senhorita Mallet, sinta-se sortuda por estar viva, memórias podem ser refeitas e pelo que pude ver de seu pai e do seu noivo, eles lhe amam. — Franzo a testa sentindo um arrepio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Procura-se Uma Noiva
Alguém tem o livro completo ?...
Boa tarde... O resto da história, estava a adorar e do nada acabou......