— Que assim seja.
Wilma levantou o rosto coberto de lágrimas e olhou para Bianca.
A tranquilidade, clareza e força nos olhos da garota à sua frente, ela nunca teve.
Era o núcleo temperado após passar por intempéries.
Wilma de repente entendeu.
Por que a mãe, após encontrar a filha biológica, embora ainda cuidasse dela e tratasse sua doença, deu aquele amor e orgulho genuínos e sem reservas, apenas para Bianca.
Porque Bianca, sim, era a criança que herdara verdadeiramente as qualidades de resiliência, inteligência e de nunca se curvar ao destino, do sangue da Família Lacerda.
A criança da Família Lacerda, devia mesmo ser tão excelente.
Essa percepção desatou o nó que estava apertado no coração de Wilma há muito tempo.
Ela sempre foi inconformada, confusa e até sutilmente invejosa.
Por que a mãe dedicou um sentimento tão profundo a uma filha recém-reconhecida, com quem nem havia vivido junto?
Agora ela entendia.
Bianca era digna de tudo da Família Lacerda e podia arcar com todo o amor de Patrícia.
Wilma enxugou as lágrimas do rosto de forma desajeitada com as costas da mão, respirou fundo algumas vezes, tentando acalmar suas emoções.
Ela olhou para Bianca e deu um sorriso.
— Você tem razão.
— Bianca, obrigada... por me dizer essas coisas. E obrigada, por estar disposta a escutar as minhas bobagens.
— Eu devo voltar, só tenho duas horas.
Ela se apoiou na mesa de pedra, levantando-se com alguma dificuldade.
— Passeiem à vontade. A Vila de Lacerda é grande e tem muitos lugares que valem a pena ver.
— Eu já vou.
Bianca ficou onde estava, vendo a figura magra de Wilma desaparecer atrás do portão da lua.
Não havia emoções avassaladoras no coração.
Apenas achou que assim também estava bom.
Esclareceram, deixaram para trás, e seguiram em frente.

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