— Tem muita diferença? — Ele finalmente perguntou, com muita sinceridade.
Caio ficou atônito por um instante e logo sorriu: — Senhor Amaral, tem diferença sim. Este tem um tom mais puxado para o laranja, dá mais vitalidade; este puxa para o rosa, traz mais elegância; e este é o vermelho vivo, mais clássico e sofisticado...
Marcelo ouviu aquela série de termos desconhecidos e passou os olhos novamente naqueles tons de vermelho.
Aos seus olhos, eram todos vermelhos.
No fim, desistiu de escolher e apontou para o da extrema esquerda: — Este aqui.
— Certo. — Caio acedeu prontamente, pegou o batom, passou o pincel e indicou a Marcelo: — Senhor Amaral, abra um pouco a boca, não feche os lábios.
Marcelo obedeceu e abriu levemente os lábios.
Quando o batom frio e com textura levemente cerosa tocou seus lábios, o corpo de Marcelo enrijeceu de novo.
Dessa vez não era só cócegas; ele queria apertar os lábios, queria limpar.
Mas, lembrando que estavam tirando fotos de casamento e que Bianca estava passando pelo mesmo processo na sala ao lado, ele se segurou.
Apenas franziu um pouco mais as sobrancelhas.
Então a maquiagem era algo tão complexo, tão... que exigia tanta paciência.
Marcelo lembrou-se da Urbanismo Vanguarda. Nos primeiros anos, parecia haver uma regra de que "os funcionários precisavam usar maquiagem leve para trabalhar". Mais tarde, quando ele entrou na empresa, achou a regra completamente desnecessária, além de atrasar os funcionários, e a aboliu.
Neste momento, sentiu que sua decisão daquela época estava corretíssima.
Finalmente, quando Marcelo sentiu que cada centímetro da pele de seu rosto havia passado pelo batismo do pincel e sua tolerância estava chegando ao limite, Caio abaixou o último pincel, deu dois passos para trás e, observando sua obra, assentiu com satisfação.
— Pronto, Senhor Amaral, pode ver o resultado.

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